O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, é suspeito de desvio de dinheiro público e associação criminosa. A informação consta em decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), datada de segunda-feira (6) e tornada pública nesta sexta-feira (10). O caso faz parte dos desdobramentos da Operação Transparência, que investiga um esquema de desvio de recursos por meio de emendas parlamentares.
Dino determinou a suspensão de R$ 119 milhões em emendas e detalhou o que a Polícia Federal encontrou até agora. Segundo as investigações, Valdemar, sem ter mandato de parlamentar, influenciava de forma clandestina o direcionamento de verbas com o auxílio de três servidores da Câmara dos Deputados. A PF aponta que as emendas eram tratadas como “cotas pessoais privadas”, caracterizando desvio de finalidade e aplicação irregular de recursos em benefício de alguém fora do Parlamento. A estimativa é de que pelo menos 21 emendas tenham sido desviadas.
Os três servidores investigados são Mariângela Fialek, conhecida como Tuca, apontada como peça-chave do esquema; Nara Benedetti Nicolau Brum, analista legislativa lotada na Liderança do PL; e Garigham Amarante Pinto, advogado que também ocupa cargo na Liderança do PL na Câmara. Dois deles trabalham diretamente na bancada do partido.
Em nota, a defesa de Valdemar afirmou ter recebido a decisão “com surpresa” e classificou as medidas como baseadas em “premissas frágeis” e “inferências subjetivas”. O dirigente nega ter cometido qualquer crime e diz não haver prova de que tenha “aderido conscientemente a um suposto esquema criminoso”. A defesa destacou ainda que a Procuradoria-Geral da República foi contrária à decretação das cautelares.
O PL é o partido de Flávio Bolsonaro, senador e pré-candidato à presidência da República, e reúne outros membros da família Bolsonaro: Jair, Michelle, Eduardo, Carlos e Jair Renan. Valdemar está no comando da legenda há 26 anos.





