A Polícia Civil prendeu na manhã desta segunda-feira (15) a ex-secretária da Causa Animal de Canoas, Paula Lopes, e dois médicos veterinários. Eles são investigados por aplicar eutanásias sem necessidade em animais, além de desviar valores arrecadados de doações para tratamentos que, segundo a investigação, nunca chegaram a ser realizados.
Eles teriam utilizado a imagem de proteção e resgate de animais para receber dinheiro enquanto autorizavam a morte de animais que ainda possuíam alternativas de tratamento.
Na primeira fase da operação, em setembro de 2025, animais foram encontrados mortos dentro de um freezer. No início da investigação, foram cumpridos mandados de busca e apreensão na Secretaria Especial de Bem-Estar Animal de Canoas, onde o freezer foi encontrado, na casa de Paula, em um sítio ligado ao Instituto Nacional de Proteção Animal e também na casa de uma veterinária que atuava junto à Secretaria.


Animais eram eutanasiados sem necessidade
Após a análise do material apreendido, incluindo um caderno que registrava mortes de animais, os policiais encontraram números considerados alarmantes. O documento apontaria uma média de 68 eutanásias por mês. Somente em julho (2025), teriam sido registradas 190 mortes de cães e gatos, o equivalente a cerca de seis animais por dia.
Nesta nova etapa da investigação, a Polícia Civil afirma ter confirmado a ligação direta entre a ex-secretária e veterinários que atuavam fora da estrutura da Secretaria. Segundo os investigadores, animais resgatados eram encaminhados para eutanásia mesmo quando ainda existiam possibilidades de tratamento. Um dos casos analisados envolve uma cadela com suspeita de cinomose.
Conforme a investigação, uma veterinária teria sugerido a realização de exame para confirmar a doença antes de qualquer decisão. No entanto, Paula teria autorizado diretamente a eutanásia sem aguardar o resultado do teste. No mesmo período, segundo a polícia, pedidos de ajuda financeira para custear o suposto tratamento do animal continuavam sendo divulgados nas redes sociais.
Outro caso envolve um animal com suspeita de esporotricose. De acordo com a investigação, apesar da veterinária informar que havia possibilidade de tratamento, a orientação recebida teria sido para fazer “o que tinha que ser feito”, expressão interpretada pelos policiais como uma autorização para a realização da eutanásia.
Polícia suspeita de desvio de dinheiro
A Polícia também apura o uso da imagem de animais debilitados para arrecadação de recursos. Conforme os investigadores, a principal suspeita realizava campanhas de doação desde 2020. Ao todo, foram identificadas 549 vaquinhas virtuais, que teriam arrecadado R$ 672.670,39 provenientes de 14.545 doadores.
Durante a primeira fase da operação, cerca de R$ 100 mil em dinheiro vivo foram encontrados na residência de Paula. A suspeita é de que parte dos valores recebidos em doações tenha sido utilizada para benefício próprio.
Na ação desta segunda-feira, foram cumpridas três prisões preventivas e 12 mandados de busca e apreensão. Celulares, computadores e outros materiais foram recolhidos para dar continuidade às investigações.
Também foi apreendido o cachorro “Dudu”, que possui deficiência nas patas dianteiras e, segundo a polícia, era utilizado em campanhas de arrecadação divulgadas nas redes sociais.

A delegada responsável pelo caso, Luciane Bertoletti, afirmou que o grupo teria atuado de forma organizada. “Eles organizaram-se como uma estrutura criminosa. A morte de cada cão não era um ato de piedade, mas um ato de lucro”, declarou.
Fotos: Divulgação Polícia Civil