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Política

“Primeiro reflexo seria aumento da tarifa”, diz Comusa sobre possível privatização

Representantes da Comusa voltaram à Câmara de Vereadores de Novo Hamburgo nesta segunda-feira (1º) para pedir apoio contra a proposta do Governo do Estado que prevê o repasse dos serviços de água e esgoto à iniciativa privada em 176 municípios. Na Tribuna Popular, o diretor-geral da autarquia, Paulo Kopschina, e o diretor técnico, Neri Chilanti, destacaram suas preocupações e possíveis impactos

Segundo Chilanti, a principal diferença entre a Comusa e uma empresa privada é que os recursos arrecadados atualmente são reinvestidos no próprio sistema de abastecimento. “Banco gerenciando água e esgoto não pode dar certo, pois o papel da iniciativa privada é gerar lucro. Hoje, qualquer superávit é utilizado para reinvestimento no próprio sistema”, afirmou.

Diretores apontam impacto no bolso dos cidadãos

Questionado pelos vereadores sobre os possíveis impactos da concessão, Chilanti disse que a primeira consequência seria sentida no bolso dos clientes. “O primeiro reflexo é aumentar a tarifa, porque tem que dar lucro. O privado olha: qual o lucro que vou ter nesta residência?”, declarou.

Outro ponto levantado foi a preocupação com a resposta no atendimento à população. De acordo com o diretor, empresas privadas nem sempre mantêm estruturas locais de atendimento, o que pode dificultar a solução rápida de problemas enfrentados pelos consumidores.

O diretor-geral da Comusa, Paulo Kopschina, admitiu que, no início da atual gestão, chegou a considerar a possibilidade de concessão devido às dificuldades financeiras do município. No entanto, afirmou que hoje o prefeito Gustavo Finck é contrário à privatização da autarquia.

O prefeito em exercício, Gerson Haas, também participou da sessão e defendeu a manutenção da Comusa como patrimônio público de Novo Hamburgo, pedindo apoio dos vereadores na mobilização contra a proposta.

Proposta preocupa outras autarquias municipais

A articulação envolve ainda outras autarquias municipais de saneamento, como o Semae de São Leopoldo. As entidades são contrárias ao Projeto RS Saneamento, apresentado pelo governador Eduardo Leite, que prevê a concessão dos serviços de água e esgoto à iniciativa privada em dezenas de municípios gaúchos.

Kopschina mencionou o acordo firmado recentemente de cooperação entre autarquias municipais durante o 54º Congresso Nacional de Saneamento da Assemae (Associação Nacional dos Serviços Municipais de Saneamento), realizado recentemente em Caxias do Sul.

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A intenção dos diretores agora é ampliar o debate junto à comunidade e continuar alertando a população sobre os possíveis impactos da medida.

Foto da capa: Tatiane Lopes/CMNH

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