A nova tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros preocupa a indústria calçadista, um dos principais setores da economia do Vale do Sinos. Em Novo Hamburgo, o presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira, afirmou que a medida representa um retrocesso para uma relação comercial construída ao longo de décadas.
Segundo ele, a taxação reduz significativamente a competitividade do calçado brasileiro no mercado norte-americano e compromete a retomada das exportações iniciada após o fim da tarifa adicional de 40%, encerrada em fevereiro deste ano. “A aplicação desta tarifa adicional reduz significativamente a competitividade do calçado brasileiro nos Estados Unidos e inviabiliza muitas operações que vinham sendo retomadas desde o fim da tarifa adicional de 40%. Trata-se de uma medida que penaliza não apenas os exportadores brasileiros, mas também importadores, marcas, varejistas e consumidores norte-americanos”, afirmou.
Desde que a proposta foi apresentada, em 1º de junho, a Abicalçados informa que passou a atuar em conjunto com o Governo Federal, por meio do MDIC, Ministério das Relações Exteriores (MRE) e ApexBrasil, além de contar com consultoria especializada nos Estados Unidos e apoio de entidades do varejo americano.
No dia 7 de julho, se reuniu em audiência pública promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), em Washington. Na ocasião, a Abicalçados defendeu tecnicamente a retirada dos calçados brasileiros da lista de produtos tarifados, argumentando que o Brasil desempenha um papel estratégico no abastecimento do mercado norte-americano, oferecendo diversidade de modelos, flexibilidade produtiva e prazos menores de entrega. A entidade também destacou que os Estados Unidos consomem mais de 2 bilhões de pares de calçados por ano, mas produzem apenas cerca de 20 milhões de pares, tornando as importações fundamentais para atender à demanda.
Além da Abicalçados, entidades como a Footwear Distributors and Retailers of America (FDRA), a American Apparel & Footwear Association (AAFA), a United States Fashion Industry Association (USFIA), além de importadores e varejistas norte-americanos, também se manifestaram contra a aplicação da nova tarifa sobre os calçados brasileiros.
Com a confirmação da nova tarifa, a Abicalçados revisou as projeções para 2026. Antes da medida, a expectativa era de uma retração de 3,6% nas exportações totais de calçados. Agora, a entidade estima uma queda média de 7,1%, uma piora de 3,5 pontos percentuais.
A entidade afirma que continuará atuando junto ao Governo Federal, às autoridades norte-americanas e às organizações parceiras nos Estados Unidos para buscar alternativas que reduzam os impactos da medida, preservem o fluxo comercial e mantenham a competitividade da indústria calçadista brasileira.
FOTO: Gabriel Muniz / Arquivo DN




