O Rio Grande do Sul deve enfrentar um cenário fiscal desafiador em 2027. A proposta de orçamento enviada à Assembleia Legislativa foi apresentada na manhã desta quinta (5) e prevê gastos aproximadamente de R$ 4,06 bilhões a mais do que arrecada. O Estado terá de retomar o pagamento da dívida com a União, suspenso após as enchentes de 2024. Futuro governo Zucco ainda menciona a possibilidade de parcelamento dos salários dos servidores.
O deputado Cláudio Branchieri (PL), relator do orçamento, também admitiu a possibilidade. “Se eu disser que a chance não existe, nós estaríamos mentindo”, declarou. Apesar disso, afirmou que o parcelamento não está nos planos da próxima administração. O atual governo, por meio da Casa Civil, Ranolfo Vieira Jr., declarou que o Estado possui recursos e planejamento financeiro para manter o pagamento dos salários, fornecedores e serviços essenciais em dia.
Outro ponto são os pagamentos da dívida com a União. O governo gaúcho pretende aderir ao Propag com redução de 20% do saldo devedor e juros reais zerados. Conforme o governo, a economia acumulada deve ser de aproximadamente R$ 52,8 bilhões até 2057, em comparação com as projeções do Regime de Recuperação Fiscal.
Os dados também mostram a diferença entre a situação fiscal do Rio Grande do Sul e a de Santa Catarina e Paraná. Em 2025, a dívida consolidada gaúcha era de R$ 134,1 bilhões, enquanto Santa Catarina registrava R$ 23,38 bilhões e o Paraná, R$ 27,32 bilhões. Na classificação de capacidade de pagamento (CAPAG), o Rio Grande do Sul estava na categoria C, enquanto os outros dois estados tinham classificação A+.
Na proposta orçamentária para 2027, os gastos com pessoal somam R$ 42,92 bilhões. Outras despesas correntes representam R$ 25,88 bilhões, enquanto os investimentos previstos chegam a R$ 5,57 bilhões, crescimento de 20% em relação à previsão anterior.
A proposta também reserva R$ 4,35 bilhões para a rubrica de dívida, R$ 1,97 bilhão para o Funrigs e R$ 1,3 bilhão para precatórios e requisições de pequeno valor (RPVs). A reserva de contingência é de R$ 2 bilhões.
Entre as receitas previstas estão R$ 57,88 bilhões provenientes de ICMS e IBS e R$ 16,02 bilhões em transferências correntes. A apresentação também considera recursos de créditos judiciais da Corsan e movimentações relacionadas ao Fundoprev.
O Rio Grande do Sul enfrentou 57 meses de parcelamento dos salários do funcionalismo, período iniciado durante o governo de Sartori. O pagamento em dia foi retomado em novembro de 2020, já na gestão de Eduardo Leite. Até o momento, não há decisão ou previsão oficial de que os salários voltarão a ser parcelados em 2027. A possibilidade, porém, foi mencionada por integrantes da oposição e da equipe ligada à futura administração, enquanto o atual governo afirma ter condições de manter os pagamentos em dia.




