No último sábado (12), Maria Eduarda La Bradbury, de 20 anos, disputou o Campeonato Mundial de Ironman 70.3, em Nice, na França. A hamburguense do bairro Hamburgo Velho completou 1,9 km de natação, 90 km de ciclismo e 21 km de corrida, em 6 horas e 8 minutos.
“O mais difícil é o treinamento antes, pois são meses de preparação. O mental cansa muito porque são muitas horas de treino. Por isso, temos que ter o equilíbrio dos dois tanto mentalmente, quanto fisicamente”, explica a atleta.


Duda, como é conhecida, pratica triathlon sprint (um terço do Ironman 70.3) desde os 15 anos, mas foi no ano passado que decidiu participar da categoria em que alcançou no sábado a 96ª posição entre 194 atletas, dos 18 aos 24 anos. Ela foi uma das poucas atletas do Rio Grande do Sul na competição, a única do Vale do Sinos.
A classificação para o Mundial veio meses antes, na primeira participação da hamburguense em uma prova Ironman 70.3. Em março deste ano, em Punta del Este, no Uruguai, a atleta ficou em segundo lugar na categoria e garantiu a vaga para disputar o Mundial na França. Foi a partir dessa competição que ela passou a se preparar para enfrentar novamente um percurso de mais de 100 quilômetros, dividido entre natação, ciclismo e corrida.
“Administra, estabiliza o ritmo e segura para acelerar depois”, assim orientava o treinador de Duda, durante a corrida na França, Juliano Guarnieri, de 35 anos. Ele ainda explica que para completar uma prova desse nível, não basta apenas percorrer longas distâncias. A preparação envolve treinos específicos e acompanhamento constante de diferentes métricas. Juliano é profissional de Educação Física, especialista em gestão, treinamento esportivo e psicologia do esporte.


“Essa situação da pessoa participar pela 1ª vez do Ironman 70.3 e já ser vice-campeã, como foi no caso da Duda, e conquistar a vaga para o mundial é um feito realmente inédito na região”.
Triatleta há mais de 15 anos, Juliano já disputou 29 provas de Ironman 70.3 e sete provas de Ironman, competição que tem o dobro das distâncias. Ele também é treinador, coordenador e responsável técnico da Ironlegion, equipe que reúne mais de 200 alunos. Cerca de 130 são do Vale do Sinos, enquanto os demais estão espalhados pelo Brasil e pelo mundo.
“Nós temos que enxergar a preparação de forma física, tática e psicológica. É necessário fazer tudo da forma e na ordem correta”, informa Juliano, que complementa que o corpo precisa estar fisicamente muito bem preparado e que caso algo saia do planejamento a performance não acontece.
Durante a preparação, ferramentas como o SmartWatch são utilizadas para acompanhar informações do atleta, como atividade, comportamento cardíaco, passada, tempo de execução, temperatura e outras métricas. Os dados ajudam a definir os treinamentos de acordo com as necessidades de cada pessoa.
A relação de Maria com o esporte começou ainda mais forte durante a pandemia. “O esporte me transformou. Na pandemia, emagreci 13 kg sozinha e, nisso, o esporte entrou muito na minha vida. É o que eu amo fazer”, conta.
Depois da experiência no Mundial da França, a atleta já mira o próximo desafio. Maria quer repetir o feito e buscar novamente a classificação para o Campeonato Mundial de Ironman 70.3 de 2027, que será realizado no Tennessee, nos Estados Unidos. Para isso, segue em busca de apoio para continuar competindo e representar Novo Hamburgo, o Rio Grande do Sul e o Brasil em provas nacionais e internacionais.
FOTOS: Arquivos pessoais da atleta.




