A ex-secretária de Gestão, Governança e Desburocratização Andrea Schneider Pascoal foi ouvida na manhã desta quinta-feira (20) pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga a suposta duplicidade nos pagamentos salariais da secretária municipal da Fazenda, Michele Antonello.
A ex-secretária relatou que, durante o período em que esteve no governo, do início de 2025 até novembro do mesmo ano, não recebeu informações sobre uma possível irregularidade no processo.
“Até o final da minha gestão como secretária, não teve nenhum apontamento sobre o caso”. Segundo ela, se algum erro fosse reconhecido, era papel da Procuradoria, controle interno ou da própria Secretaria da Fazenda de apurar ou corrigir.
“Até porque era a própria secretária da Fazenda que pagava os dois salários, tanto ressarcimento como subsídio”, explica. “Se tivesse algum erro nesse processo, eles deviam corrigir.”


Participação na nomeação
Andrea deveria ter prestado depoimento à CPI no dia 6 de agosto, mas não compareceu por questões de saúde após apresentar um quadro que levantou suspeita de AVC.
Durante a oitiva, Andrea também foi questionada sobre sua participação no processo de cedência e nomeação de Michele Antonello, que era servidora do município de Santa Maria.
“Meu único pedido era fazer o ofício de cedência, onde eu passo os dados que a secretária Michelle me encaminhou, para que providenciassem o ofício”, explica
Segundo a ex-secretária, ficou definido que a cedência ocorreria com ônus e ressarcimento. Andrea explicou que sua função foi realizar o ato que nomeou Michele como secretária e definiu sua remuneração como CC1, ou seja, com subsídio integral.
Depoimento de servidora também foi abordado
Andrea também foi questionada sobre declarações dadas anteriormente à CPI pela então diretora de RH, Aline Buttelli Ramos. A ex-diretora e servidora pública estaria sofrendo pressões para entregar um ofício de renovação da cedência de Michele, que seria encaminhado ao município de Santa Maria.
Andrea contou que encaminhou uma mensagem à secretária Daiana Monzon, que assumiu interinamente a pasta de Desburocratização após a saída de Paschoal, manifestando-se contra a situação.
“Mandei mensagem para Daiana falando sobre a minha tristeza de estarem tratando as pessoas desta forma, porque eram pessoas corretas”, relata. Segundo Andrea, as cobranças teriam partido de Daiana Monzon e da chefe de gabinete de Finck, Michella Medeiros.
Servidora de Santa Maria foi ouvida por vídeo
Antes do depoimento de Andrea, a CPI ouviu por videoconferência a superintendente de Recursos Humanos de Santa Maria, Bruna Vizzotto Barcellos.
Bruna falou sobre o processo de cedência de Michele Antonello de Santa Maria para Novo Hamburgo e afirmou que não houve irregularidade nesse procedimento.
“O Ministério Público de Santa Maria inclusive confirmou que não existe irregularidade nesse processo de cedência”, declarou.




