O desentendimento entre um médico de plantão e um agente da Guarda Municipal na UPA Centro, em Novo Hamburgo, ocorrido na noite de 26 de março, teve um novo desdobramento nesta quarta-feira (12).
O episódio, que aconteceu em meio à superlotação da unidade e à espera de pacientes por atendimento, terminou com o profissional da saúde sendo contido e algemado por três guardas. A ocorrência foi registrada na delegacia tanto por desacato, conforme relato do agente, quanto por lesão corporal, segundo denúncia apresentada pelo médico.
A unidade estava sobrecarregada naquela noite, e a ausência inesperada de um profissional da escala noturna, por um problema de saúde, agravou a situação.
Nesta quarta-feira (12), o Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers) divulgou detalhes sobre a conclusão da sindicância aberta pela Fundação de Saúde Pública de Novo Hamburgo (FSNH) para apurar o caso.
Segundo o sindicato, o procedimento administrativo concluiu que o médico não iniciou o conflito. O Simers informou ainda que o relatório final da comissão foi ratificado pela assessoria jurídica da instituição, homologado pela direção e encaminhado para arquivamento.
O documento aponta que, diante da lotação da unidade, uma integrante da equipe solicitou apoio ao agente da Guarda Municipal que atuava no local, o que deu início a um momento de tensão. O médico teria intervido na tentativa de conter a situação, que ocorria diante de pacientes e acompanhantes.
O relatório também registra sinais de agressão no profissional e o pedido para que fosse realizado exame de corpo de delito naquele momento, o que, segundo o documento, não teria ocorrido.
Além disso, a sindicância concluiu que a detenção do médico reduziu ainda mais a capacidade de atendimento e agravou a sobrecarga da unidade. A comissão também reconheceu que não foram identificados elementos de abandono deliberado das funções pela equipe assistencial ou de recusa injustificada de atendimento por profissionais da FSNH.
Entre as recomendações estão a manutenção e o fortalecimento das medidas de segurança, a reorganização das escalas, a revisão dos fluxos assistenciais e a formalização de protocolos para situações de conflito.
Procurada, a Fundação informou que, diante dos fatos apurados na sindicância, já concluída, e considerando que a situação foi contornada, o Município entende que o episódio está superado. Dessa forma, não serão realizados novos comentários sobre o caso.
“Historicamente, a relação entre os colaboradores da Fundação e os agentes da Guarda Municipal sempre foi pautada pelo respeito, diálogo e colaboração. O episódio em questão é tratado como uma situação isolada, que não representa a relação construída ao longo dos anos entre as duas instituições”, informou a FSNH.
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