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Polícia

RS registra quatro feminicídios nos primeiros dias de maio e chega a 33 vítimas em 2026; relembre os casos registrados

Estado já supera número de mortes registradas no mesmo período do ano passado; crimes revelam padrão de violência doméstica e falhas na rede de proteção

O Rio Grande do Sul chegou, no início deste mês, à marca de 33 feminicídios registrados em 2026. O caso mais recente aconteceu no sábado (9) em Porto Alegre, na Zona Sul, onde uma jovem de 22 anos foi morta. Com a confirmação da morte de Isabella Pacheco, o Estado soma quatro feminicídios apenas nos primeiros dez dias de maio. O número já ultrapassa o registrado no mesmo período de 2025, quando os cinco primeiros meses do ano contabilizaram 30 vítimas.

Conforme a Polícia Civil, Isabella foi morta com tiros na região da face e o principal suspeito é o companheiro, de 23 anos. A jovem chegou a ser socorrida, mas não resistiu aos ferimentos. Ela possuía uma Medida Protetiva de Urgência ativa contra o suspeito.

Os casos registrados até agora revelam um padrão recorrente: a maioria das mulheres foi assassinada dentro de contextos de violência doméstica e familiar.

Perfil dos agressores

Dos 33 feminicídios registrados em 2026 no Rio Grande do Sul, apenas três não foram vítimas de seus companheiros, ex-companheiros, maridos ou relações afetivas.

Os dados reforçam uma realidade já apontada pelo Mapa dos Feminicídios de 2025 no Estado, quando, em 85% dos casos, o autor era alguém com vínculo afetivo direto com a vítima.

Apenas um dos casos teve uma mulher como autora do crime. Também há casos envolvendo familiares, como o de Dione Poisl, de 74 anos, morta pelo próprio filho em Viamão.

Medidas protetivas

Entre os casos registrados em 2026, algumas das vítimas já haviam procurado ajuda antes do crime. Em outros casos, as vítimas chegaram a procurar a polícia, mas desistiram de formalizar denúncias ou retirar medidas. Há ainda situações em que a proteção sequer foi concedida.

Apesar disso, 21 das mulheres não possuíam registros anteriores de violência doméstica. No ano passado, 75 das 80 mulheres mortas também não possuíam medida protetiva vigente. Os números indicam que muitos casos de violência permanecem invisíveis até o desfecho fatal.

As vítimas de feminicídio no RS em 2026

Entre as mulheres assassinadas neste ano estão adolescentes, mães, idosas e jovens no início da vida adulta. Algumas tinham filhos pequenos. Outras estavam em processo de separação ou haviam tentado romper relacionamentos abusivos. As 33 vítimas que tiveram suas vidas ceifadas

Gislaine Beatriz Rodrigues Duarte, 31 anos
Guaíba, 3 de janeiro. Morta a facadas pelo ex-companheiro, um bombeiro militar. A Polícia Civil informou que não havia registro de boletim de ocorrência nem pedido de medida protetiva contra o suspeito.

Letícia Foster Rodrigues, 37 anos
Canguçu, 13 de janeiro. O principal suspeito é o companheiro. Letícia registrou ocorrências anteriores e solicitou medidas protetivas, descumpridas em três ocasiões.

Marinês Teresinha Schneider, 54 anos
Santa Rosa, 18 de janeiro. Morta pelo ex-companheiro. Ela possuía medida protetiva contra o suspeito.

Josiane Natel Alvez, 32 anos
Porto Alegre, 18 de janeiro. Morta a facadas pelo ex-companheiro na frente da filha. Não possuía registros de ocorrência anteriores contra o suspeito nem Medidas Protetivas de Urgência ativas.

Paula Gabriela Torres Pereira, 39 anos
Santa Cruz do Sul, 19 de janeiro. O suspeito é o ex-companheiro. A vítima não tinha medida protetiva.

Mirella dos Santos da Silva, 15 anos
Sapucaia do Sul, 20 de janeiro. O suspeito é o ex-companheiro, maior de idade. Havia medida protetiva em vigor desde dezembro de 2025, proibindo qualquer contato com a adolescente.

Uliana Teresinha Fagundes, 59 anos
Muitos Capões, 20 de janeiro. Morta pelo ex-companheiro. Não há informações sobre medida protetiva.

Karizele de Oliveira Senna, 30 anos
Novo Hamburgo, 24 de janeiro. Morta pelo companheiro. Em 2024, a vítima obteve medida protetiva, mas a decisão não estava mais vigente após a retomada do relacionamento.

Leila Raquel Camargo Feltrin, 24 anos
Tramandaí, 25 de janeiro. O suspeito é o companheiro. A vítima já havia acionado a Brigada Militar anteriormente, mas desistiu de registrar ocorrência.

Paula Gomes Gonhi, 44 anos
Santa Cruz do Sul, 26 de janeiro. Morta pelo companheiro. Não havia registros anteriores.

Marlei de Fatima Froelick, 53 anos
Novo Barreiro, 29 de janeiro. Morta pelo ex-companheiro. A vítima havia solicitado medida protetiva dias antes do crime, alegando ameaças de morte, mas o pedido foi negado.

Ianca Soares Diniz, 30 anos
São Francisco de Paula, 7 de fevereiro. Morta pelo companheiro. Segundo a Polícia Civil, não havia boletim de ocorrência nem solicitação de medida protetiva.

Juliane Cristine Schuster, 58 anos
Santa Clara do Sul, 9 de fevereiro. Morta pelo ex-companheiro. Tinha medida protetiva desde novembro do ano anterior.

Cláudia Rosane Casseres da Cunha, 53 anos
Maçambara, 12 de fevereiro. Morta pelo companheiro. Não havia boletim de ocorrência nem medida protetiva.

Cássia Girard do Nascimento, 26 anos
Cacequi, 14 de fevereiro. Foi morta horas depois de solicitar medida protetiva.

Roseli Vanda Pires Albuquerque, 47 anos
Nova Prata, 21 de fevereiro. Morta pelo ex-companheiro durante processo de separação. Não havia medidas protetivas recentes.

Glai Maria da Costa Conceição, 48 anos
Mostardas, 21 de fevereiro. Morta pelo companheiro. A vítima havia solicitado medida protetiva, mas procurou a delegacia dias depois para tentar retirar a proteção.

Miriane Lacerda Vieira, 24 anos
Ijuí, 23 de fevereiro. Morta pela companheira. Não havia registros legais anteriores de desentendimento.

Silvana Germann de Aguiar, 48 anos
Cachoeirinha. O principal suspeito é o ex-companheiro, um policial militar. Segundo a advogada da vítima, ela chegou a procurar a delegacia para solicitar medida protetiva, mas desistiu.

Gislaine Reguss, 34 anos
Montenegro, 10 de março. Morta pelo companheiro. Não havia registros anteriores nem medida protetiva.

Angelica Ines Strelow, 28 anos
Camaquã, 13 de março. Morta pelo ex-companheiro. Possuía medida protetiva.

Daiane Rosa Zastrow, 39 anos
Esteio, 17 de março. Morta pelo companheiro. Segundo a Polícia Civil, já havia solicitado medida protetiva anteriormente.

Dione Poisl, 74 anos
Viamão, 25 de março. Morta pelo próprio filho. Não havia registros anteriores.

Vicentina de Souza Batista, 65 anos
Sapucaia do Sul, 4 de abril. Morta pelo ex-genro.

Veridiana de Barros Alves, 43 anos
Novo Hamburgo, 7 de abril. Morta pelo companheiro. Não havia registro de medida protetiva.

Ana Beatriz Fernanda da Rocha, 20 anos
Parobé, 7 de abril. Morta pelo companheiro. Não havia registros anteriores.

Tainá Noshang da Silva, 24 anos
Quaraí, 5 de abril. Morta pelo ex-companheiro. Não havia registros legais de medidas protetivas.

Gabriele de Oliveira, 24 anos
Sapucaia do Sul, 21 de abril. Morta pelo companheiro. A vítima havia registrado ocorrência e solicitado medida protetiva, mas a proteção foi revogada posteriormente.

Dina Gimenez, 48 anos
Parobé, 2 de maio. Morta pelo companheiro. O suspeito possuía antecedentes, mas não havia medida protetiva.

Dalmira German Aguiar, 70 anos
Cachoeirinha. O caso foi reclassificado como feminicídio em abril. O principal suspeito é o ex-genro, o policial militar Cristiano Domingues.

Claudete Lucia Darui, 62 anos
Pejuçara, 4 de maio. Morta pelo marido. Não havia registros anteriores de violência.

Irene Teles Nunes, 77 anos
Porto Alegre, 7 de maio. O principal suspeito é o marido, que morreu após o crime. Não havia registros anteriores de violência doméstica.

Isabella Borges da Rosa Pacheco, 22 anos
Porto Alegre, 9 de maio. Morta pelo companheiro. A vítima possuía medida protetiva ativa contra o suspeito.

Mais de 14 mil registros de violência contra mulheres

Dados da Secretaria de Segurança Pública do RS apontam que, até abril deste ano, 83 tentativas de feminicídio no Estado. O monitoramento também registrava mais de 14,4 mil ocorrências relacionadas à violência contra mulheres em 2026, incluindo ameaças, estupros, lesões corporais e tentativas de feminicídio.

Especialistas e autoridades reforçam que denunciar é fundamental para interromper o ciclo de violência. Ainda assim, os dados mostram que apenas o acionamento do sistema de proteção nem sempre é suficiente para evitar tragédias.

Como denunciar

Casos graves e urgentes, como feminicídio, estupro, sequestro e outras situações que demandem intervenção imediata, não devem ser registrados pela Delegacia de Polícia Online da Mulher. Nesses casos, é imprescindível procurar imediatamente uma Delegacia de Polícia presencial, onde o atendimento adequado poderá ser realizado com a urgência necessária. 

Toda forma de violência contra a mulher pode e deve ser denunciada. Utilize os canais de ajuda:

Disque 180: Para violência doméstica e familiar contra a mulher (pela vítima ou por terceiro)

Disque 181: Denúncias anônimas relacionadas à segurança pública

Disque 197: Disque denúncia da Polícia Civil

Disque 100: Destinado a receber denúncias de violações de direitos humanos

Brigada Militar 190: Para emergência policial, quando a violência estiver acontecendo

Polícia Rodoviária Federal: 191

Ouvidoria Defensoria Pública: 0800 642 3225

Escuta Lilás: 0800 541 0803

SAMU: 192

Na Delegacia de Polícia Online da Mulher, as vítimas de violência doméstica possuem um canal direto com a Polícia Civil para registrar uma ocorrência policial, sem a necessidade de ir até uma Delegacia de Polícia para denunciar seu agressor.

Foto da capa: Divulgação/PC

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