A reportagem do DuduNews teve acesso à perícia que esclarece as circunstâncias do acidente que vitimou Vítor Leonardo Nunes Botta, de 27 anos. Ele morreu no dia 25 de maio de 2026, no Hospital Municipal de Novo Hamburgo, após sofrer um acidente na esquina das ruas 24 de Maio e Bento Gonçalves, na noite do dia 19, enquanto trabalhava com entregas para uma lancheria da cidade. A perícia aponta que o carro que o atingiu estava na contramão, na velocidade aproximada de 76 km/h, enquanto Vítor seguiu sem parar no cruzamento, onde não estava na via preferencial.

O motorista que atropelou Vítor conduzia um Chevrolet Tracker e, apesar de trafegar pela Rua Bento Gonçalves, via preferencial, câmeras de monitoramento, juntamente com a perícia, indicaram que ele estava em alta velocidade, cerca de 76 km/h, em uma via cujo limite é de 30 km/h. Contudo, a moto cruzou a placa de “PARE”, e a perícia também informa que a velocidade aproximada do motoboy era de cerca de 50 km/h.
Momentos antes da colisão, as imagens também mostram o veículo ultrapassando um Renault Duster pela contramão. Após atingir o motoboy, o condutor do Tracker ainda teria tentado fugir utilizando o carro ultrapassado, mas a ação foi impedida por um guarda municipal de folga, que rendeu os motoristas e acionou o Samu e a Brigada Militar. O agente também prestou depoimento como testemunha na delegacia. Vítor deixa esposa e dois filhos.

“Justiça” é o que mobiliza a família de Vítor neste momento. Após mais de dois meses, ainda inconformada, a esposa, Eduarda, destaca: “Tá sendo bem difícil. Cada vez mais complicado. Ele era quem cuidava de nós e trabalhava. Se esforçava muito. Desde então, fiquei sozinha com o nenê. Acredito que, a partir do momento em que houver justiça, o luto será encarado de uma forma diferente”, afirma ela.
Quem representa a família é o advogado Rafael Noronha, sócio do escritório Noronha & Aboal, em Novo Hamburgo. Segundo Noronha, essa justiça se resume à classificação do caso como homicídio doloso para o motorista.
“Defendemos que, em relação ao motorista, ele seja indiciado e, posteriormente, denunciado ao Ministério Público por homicídio doloso, pois há vídeos demonstrando que ele já vinha na contramão e em alta velocidade na Rua Demétrio Ribeiro, uma via próxima, passando sobre um quebra-molas em um local onde é proibido ultrapassar. Esses elementos, ainda sem qualquer justificativa, configuram dolo eventual”, explica o advogado, que complementa sobre o motorista possivelmente ter a intenção de deixar o local após a colisão. “Se não fosse um policial que estava passando à paisana, ele teria fugido sem prestar socorro e sem assumir responsabilidade. Só não foge porque tem alguém armado.”
O pai do motorista também aparece no local momentos depois da colisão. Noronha defende que ele também seja responsabilizado. “O pai dele se identificou como militar da reserva do Exército e intimidou este outro policial. Pedimos o indiciamento do pai do motorista por coação no curso do processo e também do amigo que quis dar carona para ele por omissão de socorro”, afirma o advogado.
Esse amigo é o motorista do Duster, veículo que é ultrapassado pelo Tracker no momento do acidente. Sobre as penas esperadas, Noronha conclui: “sejam tratados de forma exemplar. Vemos outros acidentes deste tipo e queremos que esse caso sirva de exemplo pra nossa comunidade”.




