A Polícia Civil deflagrou nesta segunda-feira (29) a Operação Placebo, que desarticulou uma organização suspeita de fraudar o fornecimento de medicamentos de alto custo para pacientes oncológicos custeados com recursos públicos. Foram cumpridas 57 ordens de busca e apreensão em 11 municípios gaúchos, incluindo Sapiranga e Campo Bom, e em mais quatro estados. Um dos principais investigados foi preso em flagrante com caixas de medicamentos com indícios de adulteração e falsificação.
As cidades gaúchas atingidas foram São Gabriel, Rosário do Sul, Santa Cruz do Sul, Santa Maria, Sapiranga, Campo Bom, Canoas, Taquara, Porto Alegre, Gravataí e Tramandaí. As ações se estenderam ainda a São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Goiás.

Segundo o delegado Daniel Severo, responsável pelo caso, o grupo utilizava empresas vinculadas entre si para simular concorrência em orçamentos apresentados ao Poder Judiciário, direcionando contratações e elevando artificialmente os valores pagos com dinheiro público. A investigação apontou ainda a existência de empresas de fachada e a circulação de medicamentos adulterados ou falsificados.
A apuração teve início após um profissional da área farmacêutica identificar inconsistências em um medicamento para tratamento de câncer, com divergências nas embalagens e características incompatíveis com o produto original. A organização atuava em diferentes frentes: captação de pacientes, encaminhamento para demandas judiciais e operacionalização das vendas.
Foram identificadas 39 vítimas potencialmente atingidas pelo esquema. Parte delas morreu durante o tratamento, circunstância que será objeto de apuração específica. A Justiça determinou o bloqueio de bens e valores dos investigados estimados em R$ 2,5 milhões.

“Estamos diante de uma investigação extremamente sensível, que envolve recursos públicos destinados ao tratamento de pessoas em situação de elevada vulnerabilidade. A suspeita de comercialização de medicamentos adulterados ou falsificados torna os fatos ainda mais graves, pois ultrapassa a questão patrimonial e alcança diretamente a saúde e a vida dos pacientes”, afirmou o delegado.
A Polícia Civil prossegue com a análise do material apreendido e não descarta novos envolvidos, novas vítimas e outras frentes de atuação da organização.



