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Polícia

“Pedros e Marias”: feminicídios deixam pelo menos 101 órfãos no Rio Grande do Sul em 2026

"Pedros e Marias": feminicídios deixam pelo menos 101 órfãos no Rio Grande do Sul em 2026

O Rio Grande do Sul chegou, no início de novembro, à marca de 68 feminicídios registrados em 2026. Combatido por redes de apoio, entidades governamentais e agentes de segurança, o ciclo de violência de gênero, que tem como golpe final o assassinato, envolve muito mais do que as próprias vítimas. É o que aponta o Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), que identificou pelo menos 101 órfãos do feminicídio no Estado apenas neste ano.

O número abrange casos registrados entre 1º de janeiro e 21 de outubro de 2026. O MPRS analisou dados de 63 casos de feminicídio. As vítimas deixaram 101 filhos órfãos. Desse total, 63 têm menos de 18 anos e 42 são maiores de idade.

Esse número, porém, ainda precisa ser atualizado. Segundo registros policiais e informações apuradas pela imprensa, pelo menos outras quatro mulheres foram vítimas de feminicídio após o período analisado pelo MPRS. Isso significa que, entre as 68 vítimas registradas até o início de novembro, há ainda mais filhos que perderam suas mães.

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Em grande parte dos casos, as mulheres assassinadas eram as principais responsáveis pelo cuidado e pelo sustento familiar, o que acentua a vulnerabilidade social, emocional e econômica dos dependentes após o crime.

Além de crianças e adolescentes, há situações em que pais idosos passam a depender de redes de apoio após a perda, ampliando o impacto social do feminicídio.

Filhos apontados como autores

O levantamento aponta ainda situações que exigiram tratamento específico na contabilização dos dados. Em três casos, filhos das vítimas são apontados como autores dos feminicídios e, por isso, não foram incluídos no total de órfãos. Um desses casos envolveu uma família do Vale do Sinos.

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O Caso Aguiar também foi analisado separadamente, já que a vítima, Silvana de Aguiar, não foi considerada órfã, pois desapareceu juntamente com a mãe e o pai. O crime segue em investigação, e os corpos da família nunca foram encontrados.

Projeto “Pedros e Marias” do MPRS

O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) lançou, no início deste ano, o projeto “Pedros e Marias – Um olhar para os órfãos do feminicídio”, uma iniciativa voltada ao acolhimento e à proteção integral das vítimas indiretas da forma mais extrema de violência de gênero.

Na justificativa do projeto, o MPRS cita um levantamento da Polícia Civil, que evidencia a dimensão do problema no Estado. Segundo a PC, ao menos 701 pessoas ficaram órfãs em razão de feminicídios no Rio Grande do Sul nos últimos cinco anos, sendo 346 crianças e adolescentes. Somente em 2025, 116 filhos perderam suas mães em crimes dessa natureza.

O projeto prevê tratamento especializado e individualizado, com busca ativa dos órfãos do feminicídio e de seus familiares, para contemplar filhos e filhas das vítimas, bem como outros dependentes identificados, como pais idosos.

A atuação envolve análise de aspectos jurídicos, apoio psicossocial, articulação com a rede de proteção e encaminhamentos para acesso a direitos, incluindo orientação e encaminhamento para a pensão especial prevista em lei, quando cabível.

A iniciativa também prevê a implementação de um protocolo interinstitucional e intersetorial de acolhimento humanizado, com orientação jurídica ao longo de todo o processo penal, articulação com a rede de proteção social e encaminhamentos necessários para garantia de direitos, evitando a revitimização institucional.

Central de Atendimento

O atendimento do projeto Pedros e Marias será realizado por meio das centrais de acolhimento às vítimas do MPRS, localizadas em Porto Alegre, Caxias do Sul, Pelotas, Lajeado, Santo Ângelo, Santa Maria, Uruguaiana e Passo Fundo.

Como denunciar

Casos graves e urgentes, como feminicídio, estupro, sequestro e outras situações que demandem intervenção imediata, não devem ser registrados pela Delegacia de Polícia Online da Mulher. Nesses casos, é imprescindível procurar imediatamente uma Delegacia de Polícia presencial, onde o atendimento adequado poderá ser realizado com a urgência necessária. 

Toda forma de violência contra a mulher pode e deve ser denunciada. Utilize os canais de ajuda:

Disque 180: Para violência doméstica e familiar contra a mulher (pela vítima ou por terceiro)

Disque 181: Denúncias anônimas relacionadas à segurança pública

Disque 197: Disque denúncia da Polícia Civil

Disque 100: Destinado a receber denúncias de violações de direitos humanos

Brigada Militar 190: Para emergência policial, quando a violência estiver acontecendo

Polícia Rodoviária Federal: 191

Ouvidoria Defensoria Pública: 0800 642 3225

Escuta Lilás: 0800 541 0803

SAMU: 192

Na Delegacia de Polícia Online da Mulher, as vítimas de violência doméstica possuem um canal direto com a Polícia Civil para registrar uma ocorrência policial, sem a necessidade de ir até uma Delegacia de Polícia para denunciar seu agressor.

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