“Sempre contigo estaremos. Para nós, és o primeiro”. O trecho inicial do hino do Esporte Clube Novo Hamburgo talvez seja uma das tantas definições do profundo amor que Marcos Baltasar Fehse sempre terá pelo anilado. Depois de 79 anos – boa parte deles dedicado a paixão pelo Novo Hamburgo – o homem que revolucionou a história do Noia faleceu, de forma serene, por volta de 0h30 deste sábado (16). Fehse estava internado no Hospital Regina, de Novo Hamburgo, lutando contra uma série de complicações. Ele será velado a partir das 8h, no Memorial Krause. A cerimônia de despedida está marcada para 18h, no mesmo local.
A paixão pelo Novo Hamburgo surgiu quando seu Marcos tinha só quatro anos: levado pelo pai Arno, testemunhou a derrota do time do Vale do Sinos, então chamado Floriano, para o Rolo Compressor, do Inter, na final do Gauchão de 1947. Era o segundo vice-campeonato, de um total de cinco da história do clube.
Vinte e cinco anos depois, já em 1972, seu Marcos Fehse assumiu a presidência do Novo Hamburgo, levando a equipe ao título de Campeão do Interior, em um grupo que tinha, entre os destaques, jogadores como Helenílton e Xameguinha. Nesse tempo, cultivou a paixão pelo clube na família. Dependendo das vitórias da equipe, Marcos aumentava a mesada do filho Bruno.



Em 89, Marcos voltou a direção de futebol do Noia, e até protagonizou a engraçada história do conhecido goleiro Marquinhos Troucourt: entrou em campo um dia após seu casamento. Em 2002, novamente como vice de futebol, Bruno contratou o volante Dinho, ídolo do Grêmio, para a disputa do Gauchão.
Em 2005, a paixão familiar ficou evidenciada quando o filho, Bruno Fehse, foi eleito presidente do Noia. Sob o seu comando, o clube conquistou a Copa RS e a Copa Emídio Perondi.
Em 2017, já enfrentando dificuldades, seu Marcos fretou um ônibus, com a família e amigos, para acompanhar a final do Gauchão em Caxias, vendo o Noia campeão. Não só isso: mesmo nas adversidades, tentava ir, junto dos filhos, em todos os jogos no Vale e fora dele.
Ao lado de Maria Teresa, teve três filhos: Bruno, Patrícia e Juliana. Também ganhou 3 netos, todos anilados. Jones Fehse, por exemplo, já é a quarta geração família torcedora do Noia – e não para por aí.



Valeu, seu Marcos! Em qualquer plano, sempre contigo estaremos, para nós sempre será o primeiro… e continue pintando, de branco e anil, os campos de todo Brasil aí de cima!