Futebol improvisado, cachorros-quentes compartilhados e trocas de olhares tímidas seguidas de abraços marcaram o sábado (17) no Colégio Bom Conselho, em Porto Alegre. A nona edição do Dia do Encontro reuniu 95 crianças e adolescentes de 30 comarcas gaúchas e cerca de 130 pretendentes à adoção habilitados no Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento (SNA).
O evento é promovido pelo Tribunal de Justiça e pela Corregedoria-Geral da Justiça (CGJ), por meio da Coordenadoria da Infância e da Juventude do Rio Grande do Sul (CIJRS), com o objetivo de criar um ambiente descontraído para que os dois grupos se conheçam e formem os primeiros vínculos. A iniciativa é voltada especialmente para crianças e adolescentes que enfrentam maiores dificuldades na adoção, pela idade avançada, por integrarem grupos de irmãos ou por demandarem cuidados de saúde específicos.

“Nós precisamos aumentar o número de crianças acolhidas nas famílias, e essa forma como se processa o Dia do Encontro favorece muito, porque os participantes brincam, fazem a refeição juntos, conversam, se percebem e aos poucos se aproximam”, afirmou o Corregedor-Geral da Justiça, desembargador Ricardo Pippi Schmidt.


Conexões reais que mudam perfis
Para o juiz-corregedor e coordenador da CIJRS, Charles Maciel Bittencourt, o evento funciona como uma “busca ativa” que vai além dos dados cadastrais. “Aqui é um mundo real. As interações e emoções são coisas que a gente vivencia e se percebe claramente estar ali nascendo uma nova família”, descreveu.
Bittencourt observa que o contato presencial frequentemente muda o perfil dos pretendentes. “Eles interagem com grupos de irmãos e crianças que têm uma energia muito linda, e essa conexão acaba facilitando a alteração do perfil, inclusive de idade”, ressaltou.

Gabriel Marins, de Caxias do Sul, participou pela segunda vez ao lado do companheiro Afonso. Na edição anterior, o casal conheceu quatro crianças e adolescentes. “Foi muito legal porque a gente falou: ‘bom, a gente teve a experiência de conhecê-los, de conectar e abrir o coração pra isso’. Então foi legal a gente quebrar esses paradigmas”, relatou.
Cassandra Xavier e o marido Eduardo, de São Leopoldo, participavam pela primeira vez. “A gente quer poder participar de todos os momentos nesse processo de adoção, para que quando chegar o nosso filho ou a nossa filha, a gente possa dizer que esteve envolvido em tudo durante a espera”, explicou ela, emocionada.


Histórico e resultados
Criado em 2018 como iniciativa pioneira da Justiça gaúcha, o Dia do Encontro foi reconhecido nacionalmente em 2020 com o Prêmio Innovare, na categoria Tribunal. Desde então, a iniciativa propiciou 170 manifestações de interesse e a efetivação de mais de 50 adoções. Da edição de maio de 2026 resultaram 13 convivências, estágio em que a Justiça autoriza a guarda e a criança passa a residir com o pretendente.




