O Hospital Universitário de Canoas enfrenta um desafio que preocupa gestores da saúde pública: a existência de uma chamada “fila fantasma” com cerca de 40 mil procedimentos entre consultas, exames e cirurgias que, na prática, podem nunca ser realizados.
De acordo com informações da própria instituição, o número não representa exatamente pacientes, mas sim demandas acumuladas ao longo dos anos que se perderam no sistema por diferentes motivos, como trocas de gestão, mudanças de sistemas e falhas no acompanhamento dos cadastros.
O problema veio à tona com mais clareza durante um mutirão de recadastramento realizado nos dias 18 e 19 de abril, quando o hospital convocou a população para atualizar dados e verificar a situação na fila do SUS.
A ação revelou um cenário ainda mais complexo: além dos procedimentos, existem também os chamados “pacientes fantasmas”, pessoas que acreditam estar aguardando atendimento, mas que, na realidade, não estão mais na fila ativa.
Um dos casos relatados pela equipe do hospital ilustra a situação. Um paciente que aguardava há cerca de cinco anos por uma cirurgia de hérnia procurou o mutirão para atualizar o telefone. Ao verificar o sistema, foi constatado que ele constava como “evadido”, ou seja, fora da fila, e por isso nunca seria chamado.
Após o recadastramento, o paciente foi reinserido no sistema e já iniciou o processo para realização da cirurgia.Segundo o hospital, situações como essa são mais comuns do que se imaginava.
Muitos pacientes deixaram de ser chamados por inconsistências cadastrais, falta de atualização de informações ou falhas no encaminhamento entre unidades de saúde.
Apesar do mutirão ter sido encerrado, o recadastramento segue sendo realizado de forma contínua. A orientação é que pacientes que aguardam procedimentos procurem o hospital para atualizar seus dados e garantir a permanência na fila.
A revisão dos cadastros se torna ainda mais urgente diante do aumento na oferta de atendimentos. Atualmente, o Hospital Universitário de Canoas vem realizando procedimentos além do previsto em contrato com o município, impulsionado por programas federais que destinam recursos extras para ampliar cirurgias e consultas.
Um novo mutirão já está programado para a área de oftalmologia, com início em 6 de maio. A previsão é de duas mil consultas e cerca de 700 cirurgias de catarata, ampliando significativamente a capacidade de atendimento.
Mesmo com o reforço, o hospital ressalta que o acesso segue a ordem da fila do SUS, que é universal. Por isso, manter o cadastro atualizado é fundamental para que os pacientes não fiquem invisíveis no sistema e tenham acesso efetivo aos serviços de saúde.
Foto: Willian Cardoso / DN
