O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, suspendeu nesta quarta-feira (9) a decisão do ministro André Mendonça que havia afastado Andrei Rodrigues do cargo de diretor-geral da Polícia Federal (PF). Com a medida, Rodrigues permanece no comando da corporação.
O afastamento havia sido determinado por Mendonça na terça-feira (8), juntamente com a retirada de Leandro Almada da direção de Inteligência da PF. O ministro alegou ter sido alvo de “monitoramento” considerado ilegal e apontou irregularidades na produção e no uso de relatórios de inteligência da corporação.
A decisão de Fachin ocorre após a Advocacia-Geral da União (AGU) recorrer contra o afastamento. O órgão sustentou que a medida interferia em uma atribuição do presidente da República, responsável pela nomeação da direção-geral da Polícia Federal, além de provocar risco de desorganização das atividades da instituição.
O episódio é mais um capítulo da crise que envolve integrantes do STF e a Polícia Federal e que teve início quando Mendonça retirou o sigilo do relatório elaborado a pedido do próprio ministro, que continha mensagens do ex-banqueiro Daniel Vorcaro enviadas ao ministro Alexandre de Moraes.
Ao determinar o afastamento de Andrei Rodrigues, Mendonça afirmou que pelo menos seis relatórios de inteligência teriam sido produzidos sobre sua atuação durante o mês de agosto. Segundo o ministro, a situação representaria um monitoramento sistemático e ilegal de um integrante da Suprema Corte.
A decisão provocou reação dentro da própria PF. Onze diretores da corporação colocaram os cargos à disposição em apoio a Rodrigues e ao diretor de Inteligência afastado.
Antes da decisão de Fachin, o ministro Flávio Dino havia determinado a reintegração imediata de Andrei Rodrigues e Leandro Almada aos cargos.
Dino argumentou que o afastamento poderia prejudicar investigações em andamento e questionou a legitimidade do Partido Novo para solicitar medidas cautelares em um processo criminal. Também afirmou que Mendonça teria decidido sobre uma questão que envolvia diretamente sua própria situação.
Com informações de: Portal G1
Fotos: Luiz Silveira / Alejandro Zambrana / STF




