O relatório do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) incluiu o Brasil em uma lista de nações que, na avaliação dos americanos, falham para impedir a importação de produtos feitos com trabalho forçado. A proposta prevê um “tarifaço” de 12,5% sobre mercadorias vindas de países dessa lista. O Brasil foi inserido no grupo considerado mais problemático, ao lado de países como China, Índia, Japão, Coreia do Sul, Reino Unido, Argentina e Arábia Saudita.
Segundo o relatório, o Brasil não possui uma proibição legal efetiva para impedir a entrada no mercado nacional de produtos fabricados total ou parcialmente com trabalho forçado em outros países. Além disso, os americanos afirmam que a fiscalização brasileira não seria suficiente para barrar esse tipo de mercadoria, o que acabaria prejudicando empresas que seguem as normas trabalhistas.
O USTR dividiu os países em dois grupos. O primeiro receberia uma tarifa adicional de 10%, incluindo União Europeia, México, Canadá, Indonésia, Paquistão e Equador. Esses locais já possuem algum tipo de restrição ou compromisso legal relacionado ao tema, mas a fiscalização foi considerada insuficiente pelos americanos. Já o segundo grupo, onde está o Brasil, receberia uma tarifa de 12,5%.
O documento reconhece que o Brasil possui formas de combate ao trabalho escravo, como a chamada “Lista Suja”, além de compromissos assumidos em acordos internacionais. No entanto, os americanos afirmam que essas medidas não seriam suficientes para impedir a importação de produtos produzidos nessas condições.
Ainda não está claro se essa nova taxa de 12,5% seria aplicada juntamente com o “tarifaço” de 25% proposta após os EUA nos “espionarem”.
Antes de qualquer decisão definitiva, a proposta passará por consulta pública. O prazo para envio de manifestações vai até o dia 6 de julho de 2026. Já no dia 7 de julho, o USTR realizará audiências para discutir as medidas sugeridas antes de decidir se as novas tarifas serão implementadas.
Foto: Agência Brasil