Dois anos após a maior tragédia climática da história de São Leopoldo, a cidade ainda convive diariamente com marcas profundas deixadas pela enchente que devastou o município em 2024. Nossa equipe de reportagem acompanhou alguns pontos que foram afetados e conversou com o prefeito Heliomar Franco, para entender quais as medidas e ações emergenciais estão sendo tomadas e previstas para os próximos meses para a contenção, em caso de uma nova tragédia.
Considerada uma das cidades mais atingidas do Rio Grande do Sul, São Leopoldo viu bairros inteiros desaparecerem sob a água, milhares de famílias perderem suas casas e uma estrutura pública entrar em colapso durante os dias mais críticos da cheia do Rio dos Sinos.
Na época, mais de 180 mil pessoas foram impactadas diretamente e cerca de 17 mil pessoas encaminhadas para abrigos públicos e comunitários da cidade.


Hoje, embora a rotina tenha voltado em parte ao município, as consequências da tragédia ainda são visíveis. Em bairros como Vicentina, Campina, Rio dos Sinos, Santos Dumont, São Miguel e Vila Brás, moradores seguem enfrentando problemas relacionados à infraestrutura, drenagem urbana e recuperação econômica.
A reconstrução da cidade acontece em várias frentes. A Prefeitura, em parceria com os governos Estadual e Federal, vem executando ações consideradas essenciais para reduzir os riscos de novos alagamentos. Entre elas está o desassoreamento do Rio dos Sinos e de canais de drenagem, trabalho apontado como fundamental para melhorar o escoamento da água e minimizar futuros impactos.
Além disso, equipes atuam na recuperação do sistema de diques e das casas de bombas, estruturas que sofreram danos durante a enchente histórica e que já apresentavam fragilidades antes mesmo da tragédia. A meta é modernizar o sistema de proteção da cidade e ampliar a capacidade de resposta diante de eventos climáticos extremos.


O prefeito Heliomar Franco afirmou que São Leopoldo está hoje mais preparada para enfrentar uma nova cheia, mas reconheceu que ainda há muito a ser feito para garantir segurança total à população. Segundo ele, os investimentos em prevenção, drenagem e infraestrutura continuam sendo prioridade da administração municipal.
Além dos prejuízos materiais, a tragédia deixou impactos emocionais profundos. Muitas famílias ainda convivem com traumas causados pela perda de bens, pelo deslocamento forçado e pelo medo constante em períodos de chuva intensa.
Dois anos depois, São Leopoldo já não é a mesma cidade, e talvez nunca mais seja. As marcas da água ainda aparecem nas paredes, nas ruas e principalmente na memória de quem viveu os dias mais difíceis da história do município. Mas, em meio às perdas, também nasceu algo impossível de medir em números: a força de um povo que se recusou a desistir.