Empresas de cidades da região estão sendo associadas a posições políticas de “esquerda” em listas que vêm sendo amplamente compartilhadas em grupos de WhatsApp. O objetivo é fazer com que as pessoas identifiquem os estabelecimentos e deixem de comprar neles. Os casos acontecem após a eleição presidencial que reelegeu Lula (PT), no domingo (25).
A reportagem recebeu listas de cidades do Vale do Sinos e do Paranhana. Em Sapiranga, mais de 60 empresas e profissionais de diversos segmentos foram incluídos.
Outra mensagem sugere que o mesmo tenha ocorrido nos municípios de Rolante e Riozinho, onde ao menos 38 comércios e profissionais foram citados. A lista teria sido organizada em um grupo de WhatsApp.
Em Portão, a Câmara de Dirigentes Logistas (CDL) manifestou repúdio à criação de listas de boicote contra empresas da cidade.
“(…) vivemos em uma democracia plena, onde a liberdade de expressão, o pluralismo de ideias e o respeito às opiniões alheias são pilares fundamentais”, diz nota assinada pelo presidente do CDL Portão, Kleiton Laux.
O texto ainda ressalta que o fortalecimento da economia local depende da união e do respeito mútuo. “Divergências de opinião fazem parte do processo democrático, mas a intolerância e o boicote prejudicam a coletividade. Reiteramos que pensar diferente é um direito de todos e que o respeito deve sempre prevalecer”, finaliza.
A OAB/RS repudiou listas que sugerem a não contratação de advogados por eventuais posições políticas e solicitou providências ao Ministério Público. O órgão também orienta que profissionais atingidos registrem ocorrência policial.
“A divergência política é legítima e faz parte da democracia. O que não se pode admitir é que as convicções pessoais sejam utilizadas como motivo para constranger, intimidar ou discriminar profissionais”, destaca o presidente da OAB/RS, Leonardo Lamachia.




