Começou nesta quinta-feira (3) o embargo da União Europeia (UE) a carnes e outros produtos de origem animal do Brasil. A medida impede temporariamente a exportação de carne bovina, suína, frango, mel, pescados e ovos para os 27 países europeus. A decisão pode ser revertida após negociações e auditorias realizadas no Brasil. A UE avalia as produções, mas o resultado ainda será analisado pelas autoridades europeias, processo que pode levar cerca de dois meses.
A decisão veio em maio, quando a UE retirou o Brasil da lista de países que cumprem suas regras sobre o uso de antimicrobianos na pecuária. Embora essas substâncias sejam usadas no tratamento de infecções, o bloco proíbe seu uso para estimular o crescimento e restringe antimicrobianos destinados à medicina humana.
Segundo a União Europeria, não foram identificadas irregularidades na carne brasileira, mas a avaliação é de que o controle feito pelo Brasil sobre o uso dessas substâncias é insuficiente.
Em 2025, o Brasil exportou para a UE:
- Carne bovina: US$ 1,048 bilhão;
- Frango: US$ 762,9 milhões;
- Mel: cerca de US$ 6 milhões;
- Carne suína: US$ 2,3 milhões;
- Ovos: US$ 1,1 milhão.
O bloco representou 5,8% das exportações brasileiras, enquanto a China, maior consumidora, importou mais de US$ 8,8 bilhões em carnes do país, detendo quase 50% das exportações brasileiras.
O governo brasileiro publicou regras para restringir antimicrobianos e anunciou um protocolo de rastreamento dos animais, do nascimento ao abate. Mesmo com a suspensão do embargo, a retomada da carne bovina pode levar de 24 a 36 meses, devido ao ciclo de criação. Para o frango, a recuperação pode ser mais rápida, pois o ciclo dura cerca de 45 dias.
Foto: Jardine Comunicação.




