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Polícia

Pedrada contra veículo na BR-448 em Canoas faz veterinária pedir demissão por medo de violência

Na noite da última quinta-feira (9), por volta das 19h30, a médica veterinária Saline Santos, moradora de Tramandaí, conduzia seu veículo Renault Sandero pela rodovia BR-448, a Rodovia do Parque, no sentido Canoas-Montenegro. No trecho escuro localizado entre os quilômetros 13 e 14, a motorista foi surpreendida por um estrondo: uma pedra foi, segundo ela, arremessada contra o seu carro, dando início a momentos de angústia e a uma drástica mudança em sua vida pessoal e profissional.

Saline conta que trafegava na pista da direita quando conseguiu, mesmo em meio à escuridão, visualizar o vulto de uma pedra de grande proporção vindo em direção ao carro. Ela conta que objeto foi atirado a partir do guard-rail que separa as pistas de uma área lateral sem iluminação. Devido à rapidez do impacto, o choque inicial ocorreu no pneu dianteiro direito, atingindo a calota e a lataria lateral do veículo. “Eu não sei nem como alguém conseguiu força para arremessar uma pedra daquele tamanho tão longe”, relata.

Mesmo sob forte susto e temendo o pior, a veterinária manteve a frieza e segurou a direção do carro, evitando que o veículo perdesse o controle e acabasse capotando na rodovia de alta velocidade. Saline chegou a cogitar que a porta do passageiro estivesse destruída, mas optou conscientemente por não parar na pista para avaliar os estragos. Ela seguiu viagem direto até o pedágio de Montenegro, onde finalmente pôde descer do carro com segurança.

“O sentimento foi de impotência, de frustração e de até medo… porque eu fiquei pensando depois do ocorrido o que poderia ter acontecido, além de ter causado um acidente, um possível sequestro, um assalto, ou até coisa pior. Isso pesou bastante para mim, porque eu tenho uma filha pequena e eu só pensei que eu quero ver ela crescer. Não dá para ter tudo na vida, a gente tem que escolher”, relatou.

Ao chegar à praça de pedágio, Saline identificou que o pneu estava severamente avariado, com a calota amassada e a parte inferior da lataria arrancada no ponto onde a pedra colidiu. Naquele mesmo momento, a Polícia Rodoviária Federal realizava uma operação de fiscalização de rotina com bafômetros. Abordada para o teste, a motorista aproveitou a oportunidade para relatar o atentado sofrido aos agentes federais.

Desde fevereiro deste ano, a médica realizava a viagem rotineira a Montenegro para trabalhar dia sim, dia não. Mas, diante do trauma e da percepção do risco a que estava exposta, ela tomou a decisão de pedir demissão do trabalho.

A veterinária registrou Boletim de Ocorrência na terça-feira (14), na Polícia Civil, que deve investigar o caso.

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