A investigação que levou à prisão de nove suspeitos por tortura contra crianças e maus-tratos a animais no Rio Grande do Sul teve origem em uma operação totalmente diferente. Segundo a Polícia Federal, o caso começou depois da apreensão do celular de um investigado durante a Operação Free Fuel 2, que apurava suspeitas de fraude no abastecimento de veículos da Prefeitura de Bagé.
O telefone pertencia a Tiago Ximendes de Oliveira, investigado por suposto envolvimento no esquema de desvios de recursos de veículos da Secretaria Municipal de Saúde entre 2023 e 2024. À época, ele atuava como coordenador do Posto de Atendimento Médico (PAM-I).
Mas foi durante a perícia no celular apreendido que os investigadores encontraram vídeos com cenas de extrema violência contra crianças, incluindo bebês, além de registros de maus-tratos a animais. A descoberta levou à abertura de um novo inquérito policial, que resultou na Operação Contra Barbariem.
Conforme a investigação, a maior parte dos vídeos foi produzida entre abril e agosto de 2025 e era compartilhada e comercializada pela internet, em aplicativos como o Telegram. Em pelo menos um dos casos, um dos investigados é pai de uma das crianças submetidas às agressões. Entre os presos também estão dois militares do Exército Brasileiro que prestavam serviço militar obrigatório.
Todo o material apreendido, incluindo pelo menos 11 celulares, será analisado pela Delegacia da Polícia Federal em Bagé para identificar novas vítimas, possíveis compradores dos vídeos e outros envolvidos no esquema.
Foto da capa: Divulgação/Polícia Federal




