Dois empresários do ramo calçadista do Vale do Sinos foram presos em flagrante na sexta-feira (26) por armazenar e compartilhar material pornográfico envolvendo crianças, adolescentes e animais. Menos de 24 horas depois, no sábado (27), os dois já estavam em liberdade. Com exclusividade, DuduNews teve acesso a novas informações e apurou o nome de um deles: Daniel Gustavo de Paula, de 64 anos, de uma tradicional família do ramo calçadista. A polícia não pediu a prisão preventiva e informou que ambos “se comprometeram a não pesquisar ou possuir conteúdos sexuais”, que farão tratamento psicológico e que não cometerão novos crimes. Também não foi divulgado o nome dos suspeitos pela Polícia Civil.
O DuduNews tenta contato com a defesa dos acusados desde que a Operação Storm, mas ainda não obteve retorno. O espaço segue à disposição.
A operação
As prisões foram realizadas durante uma operação da Delegacia da Mulher (Deam) de Esteio, resultado de investigação conduzida por vários meses pela Polícia Civil. Três mandados de busca e apreensão foram cumpridos em imóveis ligados aos dois investigados, moradores de Ivoti.
Um dos empresários teve dois endereços no Centro do município vasculhados pelos policiais. O outro foi alvo de buscas em sua mansão no bairro Jardim Panorâmico, área nobre de Ivoti. Os nomes dos presos não foram divulgados pela Polícia.
A delegada Luciane Bertoletti, da Deam de Esteio, explicou que o crime de pedofilia era o alvo central da investigação. “Nosso foco efetivamente era a pedofilia e, de forma coincidente, nós chegamos a dois indivíduos, que não têm vinculação entre eles, aqui da cidade de Ivoti, que praticavam esse crime, que era de armazenamento e compartilhamento de cenas envolvendo crianças e adolescentes”, disse.
100 terabytes
Em um dos endereços, pertencente ao empresário de 64 anos, que é membro de uma família tradicional do setor calçadista gaúcho, os policiais encontraram aproximadamente 100 terabytes de material pornográfico envolvendo crianças e adolescentes. “A partir de dados coletados durante a fase investigativa, a gente percebeu que esses indivíduos baixavam muito conteúdo, muito material envolvendo pedofilia”, afirmou a delegada.
O trabalho no local se estendeu desde as 10 horas até o meio da tarde, por conta do trabalho pericial realizado pelo Instituto-Geral de Perícias (IGP) para coleta e análise dos equipamentos eletrônicos. Os dois homens, de 64 e 47 anos, foram autuados em flagrante e encaminhados ao sistema prisional. O crime de armazenamento e compartilhamento de material de abuso sexual envolvendo crianças e adolescentes é inafiançável.
Soltos em menos de 24 horas
Apesar do flagrante e da inafiançabilidade do crime, os dois empresários foram soltos no sábado (27), pouco mais de 24 horas após a prisão. A polícia não solicitou a prisão preventiva dos dois. A justificativa apresentada foi que ambos mantêm residência fixa e emprego, e que “se comprometeram a não pesquisar ou possuir conteúdos sexuais, que vão realizar tratamento psicológico e não cometerão novos crimes”.



