Estudantes da rede estadual realizaram na manhã desta quarta-feira (17), um ato contra o projeto de Parceria Público-Privada (PPP) do Governo do Estado para a gestão da infraestrutura de escolas estaduais.
A mobilização foi convocada pela União dos Estudantes de Sapucaia (UESS) e reuniu cerca de 200 pessoas, entre alunos, professores e comunidade escolar em frente à Escola Estadual Cecília Meireles, na Travessa João Bardin, região Central, e seguindo a caminhada por outros locais da cidade.
O protesto teve como principal pauta a oposição ao modelo de PPP anunciado pelo governor do Estado Eduardo Leite, que prevê a concessão da manutenção e da infraestrutura de 98 escolas estaduais para a iniciativa privada durante um período de 25 anos.
Segundo informações divulgadas pelo governo estadual, a empresa vencedora do leilão ficará responsável por serviços como reformas, manutenção predial, limpeza, vigilância, internet, jardinagem e fornecimento de equipamentos.
De acordo com os organizadores do ato, três escolas de Sapucaia do Sul estão incluídas na lista de instituições contempladas pelo projeto: Escola Sapucaia do Sul, Escola Cecília Meireles e Escola Guianuba.
Os estudantes argumentam que essas unidades já passam por processos de reforma, o que, segundo eles, levanta questionamentos sobre a necessidade de transferir a gestão da infraestrutura para empresas privadas.
Entre os principais pontos levantados durante a manifestação está o volume de recursos previstos para o contrato. Os estudantes defendem que os valores destinados à PPP poderiam ser investidos diretamente na rede estadual.
Eles também afirmam que há escolas em condições mais precárias que necessitam de investimentos urgentes e que o recurso poderia beneficiar um número maior de instituições.
Outro argumento apresentado pelos manifestantes é que a contratação de empresas privadas não garante, necessariamente, a solução de todos os problemas estruturais das escolas.
Segundo o grupo, o modelo prevê demandas específicas de manutenção e infraestrutura, mas não contempla integralmente outras necessidades enfrentadas diariamente pelas comunidades escolares.
O debate sobre as PPPs na educação tem mobilizado profissionais da área em diferentes cidades do Rio Grande do Sul. Em reportagem recente publicada pelo repórter Gabriel Muniz do DuduNews, educadores manifestaram preocupação com o repasse de recursos públicos para empresas privadas e defenderam que os investimentos sejam feitos diretamente nas escolas estaduais.
O projeto prevê um investimento anual de R$ 72,1 milhões para as 98 instituições participantes. Durante o ato em Sapucaia do Sul, estudantes carregaram faixas e cartazes com críticas ao que classificam como um processo de privatização da educação pública.
Os manifestantes também reforçaram a defesa da gestão pública das escolas e pediram maior diálogo com a comunidade escolar antes da implementação das medidas.
Fotos / Carollyne Zuffo