Dois anos depois das enchentes que devastaram o Rio Grande do Sul, centenas de famílias de Novo Hamburgo seguem sem uma solução definitiva para moradia. O DuduNews conversou com moradores que vivem essa realidade diariamente. Um deles é Valmir Dornelles, morador do bairro Santo Afonso. Ele vive em uma casa de dois pisos com a esposa, enquanto a filha mora no segundo andar da residência. A família está entre aquelas que ainda não conseguiram acesso ao programa Compra Assistida.


Segundo Valmir, a espera tem sido angustiante. Ele relata que não consegue dormir tranquilo e evita até mesmo comprar móveis novos para dentro de casa diante da insegurança sobre o futuro. “Minha esposa não dorme à noite com medo que o dique estoure novamente”, desabafou.
Em outra residência visitada pela reportagem, a realidade é diferente. Após meses de busca, documentação e espera, Júlia dos Santos, moradora do bairro Santo Afonso, conseguiu conquistar o benefício do Compra Assistida. Hoje, ela vive com o marido em um apartamento no quinto andar e comemora a conquista do novo lar após toda a dificuldade enfrentada desde a enchente.


Dados atualizados do Ministério das Cidades mostram que o programa Compra Assistida efetivou 210 contratos em Novo Hamburgo. No entanto, o município possui 542 laudos aprovados, o que significa que muitas famílias aptas ao benefício ainda aguardam uma solução.
Além disso, 546 pedidos de reassentamento seguem em análise no Governo Federal, sem previsão definida. Enquanto isso, muitas famílias continuam vivendo em moradias provisórias, alugadas ou em situação de insegurança habitacional.
Novo Hamburgo também recebeu autorização para a construção de 600 unidades habitacionais no loteamento Morada do Sol, mas os imóveis ainda dependem de etapas burocráticas e de execução das obras até que possam ser entregues à população.
Na região da Associação dos Municípios do Vale Germânico, o cenário também preocupa: são 2.528 laudos aprovados e apenas 513 contratos efetivados pelo Compra Assistida. Outras 1.030 unidades habitacionais foram autorizadas, mas milhares de pessoas ainda aguardam reassentamento e moradia permanente.
Para muitos moradores, o processo de reconstrução ainda está longe do fim. As marcas da enchente seguem presentes na rotina e na memória de famílias que tiveram suas vidas transformadas pela tragédia climática no Vale do Sinos.
Fotos: Nicolas Guedes