O governo federal anunciou, nesta segunda-feira (4), uma nova fase do Desenrola com foco em ajudar brasileiros a saírem do sufoco financeiro. A proposta permite renegociar dívidas diretamente com os bancos e ainda usar parte do saldo do FGTS para quitar os valores acordados.
Na prática, o devedor poderá procurar a instituição financeira, negociar descontos, que podem chegar a até 90%, e depois utilizar até 20% do FGTS para encerrar a dívida. O programa mira principalmente débitos com juros altos, como cartão de crédito, cheque especial, crédito pessoal e financiamento estudantil.
A iniciativa será voltada para quem recebe até cinco salários mínimos e possui dívidas em atraso entre 90 dias e dois anos. Os novos contratos terão juros limitados a 1,99% ao mês, além de possibilidade de carência de até 30 dias para começar a pagar e prazo de até quatro anos para quitação.
Dados do Banco Central apontam que quase 50% das famílias brasileiras estão endividadas, com comprometimento de renda em 29%, o maior índice desde 2005.
Para viabilizar o programa, o governo pretende investir entre R$ 8 bilhões e R$ 9 bilhões no Fundo Garantidor de Operações, que serve como segurança para os bancos em caso de inadimplência. Também há previsão de liberação de cerca de R$ 4,5 bilhões do FGTS para ajudar na quitação das dívidas.
A adesão deve ficar aberta por cerca de três meses e, diferente da primeira fase, não haverá uma plataforma única: a negociação será feita diretamente com os bancos.
Um dos pontos que mais chamou atenção é a regra para quem aderir: ficará proibido de realizar apostas em jogos online por um período de um ano.
A primeira etapa do Desenrola, lançada em 2023, beneficiou mais de 15 milhões de brasileiros e permitiu a renegociação de aproximadamente R$ 53 bilhões em dívidas. Agora, a expectativa do governo é ampliar ainda mais esse alcance e reduzir o peso das dívidas no orçamento das famílias.
Foto capa: Agência Brasil