Um protesto busca esclarecer a morte de Luís Fernando Ferreira dos Santos, de 22 anos. Ele morreu na madrugada deste domingo (11), após bater de moto em uma parada de ônibus na Avenida Henrique Bier, no bairro Arroio da Manteiga, em São Leopoldo. O caroneiro, de 18 anos, ficou bastante ferido e está hospitalizado.
A família levanta a suspeita de que a viatura tenha colidido com a motocicleta, provocando a queda. A Brigada Militar nega a acusação e afirma que o jovem teria “realizado manobras perigosas”.
Entre os manifestantes estão Alessandra Ribeiro Ferreira e Pedro Valdemir da Silva Santos, pais de Luís. “A gente quer saber o que aconteceu. Perder um filho assim é muito doído”, afirma o pai.
A mãe complementa dizendo que o filho teria fugido por não possuir Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e que ele não bebia. Ela também relata que testemunhas teriam visto a viatura e um dos policiais envolvidos deixarem o local. “Uns amigos dele estavam no local aqui e falaram que viram a troca”, diz.

Segundo a família, os jovens estavam em um estabelecimento comercial nas proximidades quando receberam a ordem de parada. A Brigada Militar nega as acusações. Confira as notas na íntegra abaixo.
NOTA DA BRIGADA MILITAR
“A Brigada Militar informa que, na madrugada deste domingo (11/10), durante atendimento de uma ocorrência no bairro Arroio da Manteiga, em São Leopoldo, uma guarnição tentou abordar uma motocicleta ocupada por dois indivíduos, que não obedeceram à ordem de parada, dando início a um acompanhamento policial.
Durante o deslocamento, o condutor da motocicleta realizou manobras perigosas e, ao efetuar uma conversão, perdeu o controle do veículo, colidindo contra uma parada de ônibus.
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) foi acionado para atender os ocupantes da motocicleta. Um homem de 22 anos foi localizado sem vida, enquanto o outro, de 18 anos, foi encaminhado para atendimento hospitalar.
Em verificação preliminar realizada no local, não foram constatados danos na viatura policial nem identificados vestígios ou indícios de contato ou colisão entre os veículos. Os elementos inicialmente verificados apontam que o acidente ocorreu após a perda de controle da motocicleta durante o acompanhamento.
A ocorrência foi encaminhada à Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA) de São Leopoldo para registro e demais providências legais cabíveis.
A Brigada Militar reafirma seu compromisso com a transparência, a legalidade e a preservação da ordem pública, ressaltando que as circunstâncias do fato serão apuradas pelos órgãos competentes.”
QUESTIONAMENTO SOBRE A SUPOSTA TROCA DE VIATURA
Em contato com a família, os familiares alegaram que a viatura envolvida no acidente teria sido trocada durante a ocorrência. Questionada sobre a informação, a Brigada Militar respondeu:
“Em relação ao questionamento, informamos que a escala de serviço é definida previamente, com antecedência mínima de 24 horas, contendo a identificação dos policiais militares escalados e o prefixo da viatura designada para o turno.
A viatura inicia o serviço às 18h e permanece escalada até as 6h do dia seguinte. A substituição durante o turno ocorre apenas em situações excepcionais que exijam sua retirada de serviço, como problemas mecânicos que impossibilitem sua utilização. Nesses casos, a substituição é formalizada por meio de documento elaborado pelo auxiliar de serviço externo, garantindo o devido registro administrativo da alteração.
No caso em questão, não houve necessidade de substituição da viatura. Portanto, a informação de que ela teria sido trocada durante o serviço não corresponde ao procedimento adotado nesta ocorrência.”
Fotos: Bruno Schütz | DN




