Em outubro de 2006, a retirada de 86 toneladas de peixes mortos do Rio dos Sinos expôs a gravidade da degradação ambiental na região. Duas décadas depois, o episódio é trágica referência dos riscos associados à poluição e falta de proteção dos recursos hídricos.
A tragédia atingiu municípios do Vale do Rio dos Sinos, tanto a bacia do Rio, quanto famílias que faziam renda da pesca. O caso evidenciou como problemas ambientais podem comprometer a renda, a saúde e a qualidade de vida da população.

Para Danielle Paula Martins, líder do Laboratório de Vulnerabilidades, Riscos e Sociedade da Universidade Feevale, a análise dos riscos ambientais ajuda a compreender os impactos da degradação. “Após essa grande mortandade, a legislação ambiental começa a se fortalecer, mas mesmo assim, ainda temos muitos desafios, especialmente no monitoramento, a gestão da bacia é melhor hoje, há estratégias mais rápidas para detecção de novas situações”, conta.
Para o professor de pós-graduação da instituição, o biólogo Marcelo Pereira de Barros, a poluição dos rios está relacionada a diferentes fatores, como o lançamento de efluentes, a falta de saneamento e as dificuldades de fiscalização. Ele diz que o problema foi mais preocupante que o aparente. “Se a gente fosse somar todas essas mortandades, não só de peixes, mas de todas as espécies, seria um número muito maior do que foi divulgado” alertou.
Além dos impactos sobre o ecossistema, a degradação afetou comunidades que utilizam o rio para atividades econômicas e que estão expostas às consequências da contaminação. O desafio exige planejamento de longo prazo, monitoramento da qualidade da água, fiscalização e políticas públicas focadas na população.


Fotos: Alceu Feijó – Acervo pessoal Marina Mentz / Reprodução




