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Comunidade

Na Jam Sons Raros, filha mantém vivo o legado de Yndyo, rei da boa música de Novo Hamburgo

Aos 33 anos, a hamburguense Marina Peretto divide o aniversário com uma irmã gêmea especial: a Jam Sons Raros, loja de discos e CDs que se tornou referência musical em Novo Hamburgo. Depois da morte do pai, Luiz Carlos Peretto, conhecido como Yndyo, em 2023, ela decidiu manter aberto o espaço que marcou gerações de apaixonados por música na cidade.

Localizada na rua Marcílio Dias, no Centro, a Jam permaneceu aberta por décadas sob o comando de Yndyo, que morreu aos 68 anos. A loja ficou fechada por dois anos, até Marina retomar as atividades.

Desde dezembro de 2025, ela promove aberturas mensais para que o público possa visitar o espaço, encontrar raridades e compartilhar histórias sobre o pai.

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“Eu acho que é um dever meu levar esse legado dele em frente. Não consigo imaginar todo esse som parado, não tem por quê. Então, o meu propósito é que cada um desses CDs, desses vinis, encontre um novo lar, depois de meu pai ter cuidado tão bem deles”, conta Marina.

Na primeira abertura, depois de dois anos com as portas fechadas, cerca de 150 pessoas passaram pelo local, fazendo fila na entrada.

Um templo da música em Novo Hamburgo

Bailarina e professora de dança, ela explica que a decisão de reabrir a loja também veio do desejo de manter viva a relação construída por Yndyo com os clientes.

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Conhecido em Novo Hamburgo e no Vale do Sinos, Yndyo fez da Jam mais do que uma loja de discos. Marina conta que ele era apaixonado por música, escrevia textos, produzia vídeos para as redes sociais e gostava de apresentar bandas e canções para quem visitiva a Jam.

A loja se tornou referência para quem procurava discos raros, CDs e itens relacionados a bandas. Yndyo também marcou a cena musical da região como DJ, participando das playlists de eventos como o Vagão, na Sociedade Aliança, a boate Sauna, na Sociedade Ginástica, e o Calabouço, no Clube XV de Novembro, em Campo Bom. Nos anos 1970, ainda formou a equipe de som Status Band com três amigos.

“Quem conheceu meu pai tem alguma história para contar. Ele considerava a Jam um ‘templo da música’. Quem vinha aqui, ele indicava músicas, bandas, fazia com que as pessoas dividissem com ele o amor pelos sons”, lembra Marina.

A curadoria da loja foi construída a partir dos gostos de Yndyo, que cuidava pessoalmente dos exemplares. Para a filha, a Jam é uma espécie de casa de passagem, um lugar onde músicas de diferentes gêneros aguardam para encontrar novos ouvintes.

Milhares de discos à espera de novos donos neste sábado

Uma das perguntas mais frequentes de quem visita a loja é sobre a quantidade de CDs e vinis disponíveis. Marina conta, entre risos, que nem ela sabe ao certo. A família começou recentemente a catalogar o acervo de CDs, e o arquivo já soma 147 páginas, com mais de 20 títulos em cada uma.

Marina ainda está no processo de catalogar o acervo da Jam, mas estima que a loja tenha milhares de discos e CDs (Foto: Gabriela Panassal/DN)

Neste sábado (26), a Jam Sons Raros abre novamente as portas, das 9h às 15h, em uma comemoração especial do aniversário da Jam. A visita será uma oportunidade para conhecer o acervo, comprar discos e CDs e celebrar o aniversário da loja e de Marina. A programação também terá surpresas e sorteios.

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