Opinião do DuduNews
O Brasil esperava do Supremo Tribunal Federal uma decisão capaz de oferecer aquilo que mais falta ao país: segurança jurídica, previsibilidade e Justiça.
Não foi o que aconteceu.
Ao final, o Plenário não conseguiu produzir uma resposta capaz de afastar as dúvidas e encerrar as controvérsias. O resultado deixa o país diante de um cenário de incerteza — justamente quando as instituições deveriam transmitir à sociedade a confiança de que as regras da República são claras e se aplicam, indistintamente, a todos.
Mais preocupante ainda foi o espetáculo proporcionado durante o julgamento. Divergências fazem parte de qualquer colegiado. Argumentos contundentes também. Mas discussões ásperas, manifestações deselegantes e, sobretudo, debates aos gritos não contribuem para a grandeza de uma Corte cuja autoridade depende, em boa medida, da sobriedade de seus integrantes.
O Supremo pode divergir. Pode discordar. Pode até protagonizar debates duros.
O que não pode é deslustrar a própria instituição.
Agora, enquanto o país permanece nesse limbo jurídico, aproxima-se a hora em que os brasileiros voltarão às urnas. E é justamente aí que reside a essência da democracia: a palavra final pertence ao povo.
Nesse contexto, a manifestação da Ministra Cármen Lúcia merece atenção.
Com a serenidade que lhe é peculiar, mas sem abrir mão da firmeza, dirigiu-se textualmente ao povo brasileiro.
Foi talvez o momento em que a voz da sociedade se sobrepôs às vozes do embate institucional. Porque, no fim, as instituições existem para servir à República — e a República pertence ao povo.
Se o Supremo não conseguiu oferecer a clareza esperada, caberá agora ao eleitor avaliar, nas urnas, não apenas os projetos em disputa, mas também a
conduta daqueles que deveriam proteger a estabilidade institucional.
O voto não substitui a Justiça, mas pode expressar a reprovação de uma sociedade cansada de incertezas, excessos e decisões incapazes de pacificar o país.
As urnas não apagarão o que ocorreu no Plenário, nem corrigirão automaticamente os erros de uma Corte que parece ter perdido de vista a responsabilidade de seus próprios gestos. Mas poderão reafirmar que, em uma democracia, nenhum poder está acima da avaliação popular — e que a autoridade das instituições depende da confiança que conseguem inspirar.
Resta ao país esperar que o povo diga, com a força do voto, aquilo que o Supremo não conseguiu dizer com a autoridade de sua decisão.
E, diante de tudo o que se viu, é inevitável lembrar o velho Barão de Itararé: “De onde menos se espera, dali mesmo é que não sai nada”.




