Em relação aos últimos anos, o desempenho dos estudantes brasileiros reduziu a diferença na média dos alunos de países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). No entanto, a redução da distância, segundo especialistas, se deu porque a performance do Brasil permaneceu estável, enquanto a média dos demais países recuou.
O Brasil continua abaixo da média dos 38 países da OCDE que, por meio do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), avalia a cada três anos o conhecimento de alunos de 15 anos de idade em matemática, leitura e ciências.
Os resultados de 2025 mantiveram números similares aos da avaliação anterior, de 2022, mas com redução de diferença à média dos demais países em outros anos. No estudo, o Brasil ficou abaixo, inclusive, nas três disciplinas: 408 pontos em leitura, 377 em matemática e 409 em ciências. A média dos demais 23 países, ficou em 466, 469 e 486. Cada 20 pontos são equivalentes a um ano escolar.
“O país tem mantido seus resultados relativamente estáveis, enquanto a média da OCDE recuou. Portanto, embora tenha evitado uma piora, o desafio brasileiro continua sendo promover ganhos consistentes de aprendizagem”, diz Felipe Proto, vice-presidente de Educação da Fundação Lemann à Agência Brasil.
Entretanto, a diferença já foi bem maior, em comparação com dados de anos entre 2006 e 2025. Houve redução de 102 para 58 em leitura (44 pontos), de 131 para 92 em matemática (39 pontos) e 113 para 77 em ciências (36 pontos).
De acordo com Jalman Lima, mestre em matemática e gerente da Casio Educação, é positivo que o Brasil não tenha acompanhado a intensidade da queda na educação em relação aos demais países, mas a estabilidade ainda ocorre em um patamar abaixo, especialmente em matemática, em que apenas 28% dos estudantes atingiram o nível 2 em matemática, que é o mínimo.
O Pisa 2025 envolveu 760 mil estudantes de 91 países. O Brasil participou da pesquisa com 30.140 estudantes. O perfil dos participantes brasileiros avaliados foi composto por 72,4% de estudantes oriundos de escolas da rede estadual, sendo a quase totalidade (96,9%) delas localizada em áreas urbanas. Cerca de 84,7% estavam matriculados na 1ª ou 2ª série do ensino médio na época das provas, aplicadas entre abril e maio de 2025. Nesta edição, o foco foi o letramento dos alunos em ciências, com o maior número de itens aplicados.
Foto: Divulgação / Agência Brasil




