Através do projeto “Coração de Maria”, mãe, filhos e outros familiares servem refeições e oferecem aulas de artes marciais para crianças do bairro Santo Afonso, em Novo Hamburgo. Cerca de 50 crianças recebem almoço e jantar de segunda à quinta-feira.
O projeto começou há aproximadamente cinco anos, na casa de dona Maria Aparecida, de 53 anos, mãe de cinco filhos. Depois de três anos funcionando na residência da família, o projeto foi levado para um espaço alugado no final da Rua Carlos Afonso Braunger, na Vila Marrocos, número 307.


A filha de 17 anos, Diéssica Vitória da Rosa, relembra que, quando era pequena, a mãe colocava os filhos menores para dormir mais cedo devido a falta de comida. Depois de conhecer a fome dentro de casa, Maria decidiu criar o projeto, que continua até hoje sem apoio do poder público e conta apenas com a ajuda de apoiadores.
A filha conta que a família passava muita dificuldade financeira. Diéssica ainda conta que quando tinha projetos sociais no bairro ela voltava com comida para casa.


“Ela me dizia que um dia a gente teria um projeto e ajudar outras pessoas, mas a gente não tinha nem para nós, quem dirá para ajudar os outros”, relembra a filha.
Dona Maria explica que sempre quando pensava em desistir, alguém surgia para levar comida e ajudar. “Eu sempre disse que um dia mudaria e que eu acordaria sem me preocupar se teria um pão para dar a eles”, afirma Maria.
Através de um rancho e carnes doadas por um casal de amigos, surgiu o “empurrão” que faltava para o projeto iniciar. “Como eu vou fazer se eu não tenho nem para mim, as vezes eu pensava. Mas um ajudava com arroz, outro com feijão, o pouco para uns era muito para outros”, completa Maria.
ESPORTE E ARTES MARCIAIS
Além da comida, às terças e quintas-feiras, Maicon Felipe, de 32 anos, que é um dos filhos de Maria Aparecida, dá aulas de jiu-jitsu. Os professores Gilnei Machado e Marcos Ribeiro também oferecem aulas de karatê (quarta, sexta e sábado) e muay thai (aos sábados).
Maicon oferece as aulas de jiu-jitsu para crianças de 5 à 12 anos e aulas especiais para os maiores. “O jiu-jitsu ajuda as crianças a ter mais confiança, autocontrole e disciplina. Ainda pode pode formar grande atletas”, afirma Maicon.


Allan Taylor da Silva, de 16 anos, Érica da Rosa, de 12 anos, e Pedro Henrique da Silva, de 11, ostentam orgulhosos suas medalhas no peito, conquistadas através de lutas a partir do projeto.
“Eu quero ser lutador profissional. Conquistar mundial e brasileiro”, afirma Pedro. Já Érica quer migrar para o MMA e já treina Muay Thai, além do jiu-jitsu. E o mais velho continua os treinos para se tornar professor.
Sem ajuda de governos ou grandes empresas, Maria, Diéssica, Maicon, Raíssa, Isabel, Neli, entre outros amigos e familiares, salvam a vida de crianças diariamente com alimentos e mostram um futuro melhor através do esporte.
FOTOS: Gabriel Muniz / DN




