A candidata ao governo do Rio Grande do Sul Juliana Brizola (PDT) defendeu no DuduNight Especial Eleições 2026, na noite de segunda-feira (24), que o próximo governador assine o PROPAG, Programa Federal de Recuperação da dívida dos Estados, como primeira medida para liberar recursos ao Rio Grande do Sul. Pelo cálculo apresentado pela candidata, só na área da educação o estado receberia R$ 650 milhões a mais por ano, totalizando R$ 2,6 bilhões em quatro anos de mandato.
Neta do ex-governador Leonel Brizola e deputada estadual por três mandatos, Juliana foi a terceira entrevistada no programa, que recebe os candidatos ao Piratini na cobertura especial das Eleições 2026.
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O plano financeiro: FUNRIGS, PROPAG e Fundo Constitucional do Sul
A proposta financeira de Juliana articula três frentes. A primeira é a prorrogação do FUNRIGS por mais três anos, o que impediria o estado de retomar os pagamentos da dívida com a União imediatamente após o fim do período atual. A segunda, e central para o plano de investimentos, é a assinatura do PROPAG. “Os juros da dívida ficam aqui para tu investir”, explicou a candidata.
A diferença em relação ao Regime de Recuperação Fiscal adotado pelos governos Sartori e Eduardo Leite, segundo Juliana, é que o PROPAG permite que os recursos dos juros permaneçam no estado para aplicação em saúde, educação e infraestrutura. A terceira frente é a articulação de um Fundo Constitucional do Sul, nos moldes do que existe para o Nordeste. “O Nordeste precisou, articulou e conseguiu. É isso que eu pretendo fazer”, disse.

Juliana afirmou ter se reunido com o presidente Lula e que ele é sensível à prorrogação do FUNRIGS. Criticou também a postura do atual governo estadual diante de Brasília: “A bancada federal finge que não é com ela. O governador aqui titubeia, não vai sentar com o Lula, afinal de contas é de outro partido. E o Rio Grande do Sul fica de lado.”



Aliança PT-PDT e o recuo de Edegar Pretto
A formação da chapa foi um dos temas da entrevista. Juliana reconheceu que o processo não foi simples: o PT nunca havia apoiado outro candidato no primeiro turno no Rio Grande do Sul. “Eu considero realmente um ato de responsabilidade, de generosidade”, disse. Ao todo, oito partidos com propostas distintas deixaram diferenças de lado para compor a aliança.
Edegar Pretto, que tinha legitimidade para concorrer e foi colega de Juliana na Assembleia Legislativa por três mandatos, recuou a pedido do presidente Lula e ocupa hoje a vaga de vice-governador na chapa. “Sempre tivemos uma relação muito forte. É claro que ele tinha todo o direito e legitimidade de concorrer. A pedido do presidente Lula, ele recua”, afirmou a candidata.
Educação: 43% do orçamento e o legado de Brizola em Novo Hamburgo
A educação foi apresentada como a prioridade central de um eventual governo Juliana. A candidata citou o avô Leonel Brizola, que destinou 43% do orçamento do Rio de Janeiro à área durante seu governo e foi muito criticado por isso. “Era a escola pras crianças mais humildes. Mas ninguém deu continuidade”, lembrou ao falar dos ‘Brizolões‘.
Juliana mencionou o CIEP de Novo Hamburgo, no Bairro Canudos, como exemplo concreto desse legado na região. Defendeu a escola em tempo integral como modelo dos países desenvolvidos, não como criação exclusiva do trabalhismo. “Eu não acredito em desenvolvimento econômico sem qualidade na educação”, afirmou. A valorização do magistério é apresentada como eixo estruturante da política educacional, ao lado da constatação, relatada por empresários em todo o estado, de que a mão de obra gaúcha está desqualificada.

Saúde: caso de Novo Hamburgo e ICMS para hospitais
Durante a entrevista, o apresentador Eduardo trouxe um caso relatado à redação do DuduNews: uma UPA do Bairro Canudos, em Novo Hamburgo, que precisou improvisar um leito de UTI por falta de vaga no hospital municipal. “As doenças que eram curáveis estão se transformando em crônicas. As pessoas têm medo de ficar doentes porque sabem que podem chegar numa emergência e tá tudo lotado”, respondeu Juliana.
A candidata apresentou um projeto aprovado por unanimidade na Assembleia Legislativa, com votos de direita, esquerda e centro, que permite aos empresários destinar até 5% do ICMS diretamente aos hospitais filantrópicos e Santas Casas, que respondem por mais de 80% do atendimento SUS no Rio Grande do Sul. Também criticou a ausência de prontuário eletrônico integrado: o paciente chega na emergência e precisa recontar todo o histórico clínico. “O que atrasa, o que tem é burocracia e não há uma gestão eficiente”, disse.


Feminicídio: protocolo de risco e programa de cuidadoras
Com mestrado em ciências criminais, Juliana apresentou um programa de 12 pontos contra o feminicídio. O mais detalhado é o protocolo de avaliação de risco: no primeiro depoimento, a mulher responde a 35 perguntas específicas, que classificam o risco em baixo, médio ou altíssimo, com resposta diferenciada do estado em cada nível.
A candidata também propõe o monitoramento das próprias mulheres agredidas, não apenas a tornozeleira no agressor, e a criação das “cuidadoras”, mulheres treinadas para acompanhar casos de alto risco. “Não adianta só tu dar medida protetiva pra mulher e mandar ela para casa. O estado do Rio Grande do Sul é o estado que tem mais medida protetiva e essas mulheres que têm medida protetiva morrem”, afirmou.
O apresentador trouxe à entrevista o caso de uma mulher hamburguense do Bairro Santo Afonso, morta pelo companheiro na frente dos filhos, mesmo com medida protetiva vigente. Juliana disse que vai coordenar pessoalmente o tema dentro do gabinete e que a escola é o caminho de longo prazo para romper a naturalização da violência doméstica: “Muitas vezes essas crianças convivem com um histórico de violência no ambiente familiar desde pequenas e naturalizam. A criança acha que aquilo é o normal.”




