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Política

Ex-prefeito de Guaíba e candidato ao Governo do RS, Marcelo Maranata fala sobre gestão, SUS, calçados e feminicídio no DuduNight

O segundo episódio do DuduNight Especial Eleições 2026 tem como convidado Marcelo Maranata, candidato ao Governo do Rio Grande do Sul pelo PSDB. Em cerca de 45 minutos de conversa com Eduardo Schmitz, o Dudu News, o ex-prefeito de Guaíba, que renunciou ao mandato em abril de 2026 para disputar o Piratini, percorre temas que vão da gestão municipal ao feminicídio, passando pela crise na indústria calçadista e por um diagnóstico duro das finanças estaduais.

A terceira via num campo de quatro

Maranata se posiciona como alternativa ao que chama de “quatro candidaturas”: a de esquerda (Juliana Brisola, PDT), a de direita (Delegado Zucco, PL) e a da continuidade do governo Eduardo Leite, representada pelo vice-governador Gabriel Souza.

“Mais de 81% da população gaúcha diz que não sabe em quem vai votar. É com esse eleitor que a gente está conversando”, afirma o candidato.

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De engraxate a prefeito: trajetória como argumento

A trajetória pessoal é o eixo central da candidatura de Maranata. Ele começou como entregador de jornal e engraxate, abriu um negócio em Guaíba no exato momento em que a Ford deixava o Estado, presidiu o Sindilojas e o CDL, foi diretor na Fecomércio, e ganhou a primeira eleição à prefeitura por apenas 212 votos. “Eu dormia dentro da loja pra poder pagar minha faculdade de direito”, conta.

Na gestão de Guaíba, elenca as entregas: assumiu com déficit de R$ 17 milhões e deixou R$ 100 milhões em caixa, construiu hospital com UTI, elevou o município à posição de décima cidade mais segura do Brasil e segunda do Rio Grande do Sul, e saiu da prefeitura com 92% de aprovação. “Diferente deles, que vão dizer o que vão fazer, nós vamos dizer o que a gente fez”, diz.

Vendemos tudo e gastamos tudo

Uma das críticas mais contundentes da entrevista é direcionada à gestão financeira estadual. Maranata afirma que o estado não cumpre o mínimo constitucional de 12% em saúde, obrigando os municípios a investirem em média 22% quando deveriam destinar 15%. Na sua avaliação, os prefeitos retiram dinheiro da atenção básica para cobrir funções que são responsabilidade do estado. “O SUS gaúcho paga R$ 1,90 por um hemograma e R$ 10,90 por uma consulta. São mais de 800 mil gaúchos na fila. Os hospitais têm R$ 2,5 bilhões em déficit com o Estado.”

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Sobre a situação fiscal, o candidato rejeita o discurso de estabilidade: “Vendemos a CEEE, a Corsan, privatizamos estradas e portos, recebemos recursos do governo Bolsonaro e do governo Lula, e mandamos um orçamento pra Assembleia com R$ 4,8 bilhões de déficit. Vendemos tudo e gastamos tudo.”

Energia eólica e hidrovia como eixos econômicos

No campo propositivo, Maranata defende dois projetos centrais. O primeiro é a exploração da capacidade eólica gaúcha, que estima em 150 gigawatts-hora, dez vezes o volume atual. O segundo é a retomada das hidrovias: propõe dragar os rios para que o grão da região de Cachoeira do Sul chegue de barco até Porto Alegre, reduzindo de 400 a 500 caminhões por dia nas rodovias. Cita como exemplo a CMPC, empresa que representa R$ 27 bilhões em investimentos e 12 mil empregos no Estado, cuja paralisação judicial classifica como “equívoco do poder público”.

Calçados e o tarifaço americano

O candidato alerta para o impacto das tarifas dos Estados Unidos sobre a indústria calçadista gaúcha. Segundo ele, 33% da receita do setor vem do mercado americano, e o Rio Grande do Sul concentra 80% dos empregos nacionais da cadeia. Maranata critica a ausência do Governo Estadual na articulação com o Governo Federal. “Como esperar de um governo que não sentou com o Presidente da República pra pedir ajuda? Não é aceitável que um Governador não pegue o avião do governo e marque uma audiência que é prioridade número um.” Como solução, propõe usar o Banrisul, que registrou R$ 3 bilhões de lucro, como ferramenta de crédito subsidiado para o setor.

Escolas empreendedoras para frear a evasão

Diante da saída anual de cerca de 50 mil gaúchos do Estado, Maranata propõe criar uma rede de pelo menos 2 mil escolas empreendedoras, instaladas em CTGs, clubes de mães e igrejas, usando material do Sebrae e professores aposentados remunerados pelo Estado. O objetivo é formalizar micro e pequenos empreendedores e dar estrutura financeira a quem já está gerando renda de forma informal.

Feminicídio: o caso de Novo Hamburgo e a proposta de Guaíba

Diante de casos de feminicídio relembrados por Dudu News, Maranata lembrou que Guaíba ficou quatro anos sem registrar feminicídios e defendeu uma abordagem que inclui o tratamento do agressor em grupos de apoio, busca ativa nas escolas, e envolvimento de igrejas, CTGs, centros espíritas e entidades do comércio e da indústria. “Não basta colocar a tornozeleira. Se a gente não cuidar desse cara, ele arruma uma namorada e mata outra. Meu sonho é que o Rio Grande do Sul seja o lugar mais seguro pra uma mulher viver.”

O episódio completo está disponível no canal do YouTube do DuduNews.

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