O que começou com o sonho de duas mães atípicas se transformou em um espaço de acolhimento gratuito durante o recesso escolar de inverno em Campo Bom. A primeira Colônia de Férias para Crianças Atípicas da cidade reuniu, de forma voluntária, ao longo de três dias de atividades, 19 famílias e 24 crianças em uma programação pensada para promover lazer e inclusão para os pequenos e seus responsáveis.
A iniciativa foi promovida pelo projeto Despertar Azul, das idealizadoras Camila Parreira e Cristiane Damian, mães de crianças atípicas.
Camila, mãe de Stella e Bento, explica que o projeto nasceu da realidade vivida por muitas famílias durante as férias. “Muitas crianças atípicas acabam permanecendo em casa por falta de espaços inclusivos, preparados para acolhê-las e respeitar suas necessidades.”
Brinquedos infláveis e espaços para descanso
As atividades aconteceram em dias alternados, sempre no turno da tarde, respeitando a rotina das famílias e evitando uma sobrecarga para as crianças.
Os brinquedos infláveis foram escolhidos pensando no desenvolvimento das crianças. Além da diversão, eles estimulam o equilíbrio, a coordenação motora, o movimento e a integração sensorial, aspectos importantes para muitas crianças atípicas.


O espaço contou ainda com uma área reservada para descanso e autorregulação sensorial, instalada em um ambiente mais tranquilo, distante do barulho das brincadeiras. Os pais também ganharam um espaço para tomar chimarrão e acompanhar a diversão das crianças.
Ao longo dos três dias, foram registradas 54 participações. Na segunda-feira, participaram sete famílias e 13 crianças. Na terça-feira, o número subiu para 12 famílias e 28 participações. Já na sexta-feira, nove famílias e 13 crianças estiveram presentes.
Cristiane, mãe de Gabrielly e Fernando, que é autista, e estudante de Pedagogia, conta que o principal objetivo foi proporcionar momentos de lazer e pertencimento. “Queríamos oferecer às crianças e às famílias um espaço de convivência, desenvolvimento e inclusão, onde todos se sentissem acolhidos”, destaca.

“Nosso maior objetivo foi mostrar que, quando um ambiente é planejado com respeito às individualidades, todas as crianças podem participar, brincar e criar memórias felizes”, conta Camila.
Apoio de empresas locais
As idealizadoras destacam que a realização do projeto só foi possível graças ao apoio de parceiros que acreditaram no projeto, com empresas patrocinando a alimentação, os brinquedos e até mesmo monitores e estudantes da área que receberam horas complementares para auxiliar no acolhimento às crianças.

Projeto planeja continuar com a iniciativa
Depois da primeira edição, Camila e Cristiane relatam que a Despertar Azul pretende dar continuidade ao projeto e ampliar as ações voltadas às famílias atípicas de Campo Bom. “Essa foi a primeira Colônia de Férias para Crianças Atípicas de Campo Bom, mas temos a certeza de que é apenas o começo”, relatam.
“Acreditamos que toda criança merece viver as férias com alegria, segurança, acolhimento e oportunidades. Esperamos que essa iniciativa inspire cada vez mais ações inclusivas e fortaleça a criação de espaços onde as crianças atípicas e suas famílias se sintam verdadeiramente pertencentes”, destacam as organizadoras.




