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Comunidade

Obras da histórica Casa do Imigrante, em São Leopoldo, estão quase na metade. Prefeito estuda parceria com empresários para cuidarem do local

Um dos principais símbolos da história de São Leopoldo e do nosso Vale do Sinos está sendo todo reformado. As obras de restauração da Casa do Imigrante, no Bairro Feitoria, já chegaram a 40%. O trabalho, iniciado em março deste ano, envolve tanto a recuperação do prédio histórico quanto a construção de um novo anexo, que deverá ampliar as possibilidades de utilização do espaço.

Tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado (Iphae), a Casa do Imigrante é um dos principais marcos da imigração alemã no município. A construção original é do final do século XVIII e o local recebeu os primeiros imigrantes alemães que chegaram à região em 1824.

O imóvel, porém, passou por anos de abandono e chegou a ter parte da estrutura destruída após um desabamento ocorrido em março de 2019. A situação deixou o espaço fechado e exposto à deterioração até que o projeto de recuperação avançasse.

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Segundo a engenheira e responsável técnica Patrícia Guidale, o andamento da obra representa uma conquista para quem aguardava pela recuperação do patrimônio. Ela destaca, porém, que o processo de restauro tem apresentado desafios que não estavam previstos inicialmente.

“Uma grande alegria pra nós, como moradores e responsáveis, que tanto esperávamos recursos e valorização desse patrimônio histórico. Houveram muitas surpresas ao longo do caminho, como reforço de esquadrias e telhados. Cada semana vem um novo desafio, mas juntos estamos conseguindo desenvolver a obra”, afirmou Patrícia.

Nas primeiras etapas, as equipes fizeram a retirada de entulhos, materiais degradados e parte do reboco antigo. Também foram executados reforços estruturais, especialmente nos vãos de portas e janelas, além da reconstrução de uma parede que havia desabado. Sempre que possível, materiais originais preservados foram reaproveitados, respeitando as características históricas da construção.

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Outro desafio identificado durante o trabalho foi a condição das esquadrias. A deterioração encontrada foi superior à inicialmente prevista, o que exigiu a substituição de um número maior de peças, mantendo os padrões originais do imóvel. O trabalho também envolve intervenções na cobertura e na estrutura da antiga casa.

Parte da estrutura caiu em 2019.

Para o prefeito Heliomar Franco, a recuperação representa mais do que uma obra física. Segundo ele, o projeto está diretamente ligado à preservação da identidade e da memória de São Leopoldo.

“Há muitos anos estava abandonado. É um compromisso nosso com a identidade, a história e as raízes da cidade. Estava em verdadeiras ruínas. Ficamos abismados quando encontramos o local”, afirmou o prefeito.

Paralelamente ao restauro da construção histórica, uma nova estrutura está sendo erguida no terreno. O projeto prevê um anexo que fará parte de um complexo cultural, histórico e de lazer.

A proposta inclui espaços para convivência, lazer e atividades culturais, além de uma cafeteria. O projeto contempla aproximadamente 334 metros quadrados de área de restauro e um complexo com cerca de 550 metros quadrados, incluindo a nova edificação.

“Além de todo o restauro, temos um espaço totalmente novo. Um espaço pra lazer, um anexo novo”, explicou Heliomar.

A intenção, segundo o prefeito, é que o novo espaço dialogue não apenas com a história de São Leopoldo, mas com a identidade de toda a região.

“Um espaço que dialoga com a identidade da região toda. Nada mais justo que homenagear os nossos antepassados”, afirmou.

O projeto também prevê áreas livres, paisagismo, estacionamento, espaços de convivência, exposição interativa, sanitários, sala de pesquisa e área de recreação infantil, transformando o local em um complexo voltado à cultura, ao turismo e ao lazer.

Além da recuperação do patrimônio, a Prefeitura pretende encontrar uma forma de garantir a manutenção do complexo depois da conclusão das obras.

“Estamos modelando para ser autossustentável. Pode gerar uma renda para quem explorar e conservar o ambiente”, explicou Heliomar.

De acordo com o prefeito, uma das possibilidades estudadas para o futuro é a realização de uma parceria público-privada para a utilização de determinados espaços do complexo, especialmente aqueles destinados à exploração comercial. A ideia é que a geração de receitas contribua para a conservação e a manutenção do patrimônio.

O investimento previsto para o projeto é de aproximadamente R$ 6,5 milhões. A execução está a cargo da Construtora Toro, especializada em obras de restauro, com fiscalização da Prefeitura e acompanhamento do Iphae. O prazo contratual é de um ano a partir do início dos trabalhos.

Fotos: Eduarda Toledo | Pref. São Leopoldo

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