Os vereadores de Novo Hamburgo manifestaram indignação pela liberdade provisória dos empresários investigados por armazenar mais de 100 terabytes de pornografia de crianças, adolescentes e animais. A moção de repúdio dos parlamentares ocorreu durante a Sessão Ordinária da Câmara do município, nesta segunda-feira (06),
As autoras da bancada feminina foram as vereadoras Daia Hanich (MDB), Deza Guerreiro (PP) e a Professora Luciana Martins (PT). Durante a fala, elas manifestaram o descontentamento com a liberdade dos investigados e pediram mudanças nas leis federais, a partir do Congresso Nacional.
“Não existe mais tratamento para tamanha brutalidade e covardia com as nossas crianças. O único tratamento que existe é ficar preso ou eu já entro na questão de castramento. Porque pra mim fez esse tipo de atrocidade com as crianças, mesmo que pela internet, não podem ficar impunes, são doentes”, afirmou a vereadora Deza.
“Precisamos urgente que sejam alteradas todas as leis que incitam estas quetões de pedofilia, exploração e abuso sexual infantil”, falou a vereadora Daia. Além de parlamentar, Daia é inspetora da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam-Novo Hamburgo) e explica que os empresários ainda podem serem presos conforme o andamento da investigação: “A partir do momento que for constatado que houve compartilhamento, e outros crimes, pode mudar o enquadramento e a polícia pode solicitar que eles sejam presos”, concluiu
Já a vereadora Luciana Martins destacou um projeto de lei que será apresentado pela deputada federal Fernanda Melchiona (PSOL). “Ela está se comprometendo em apresentar um Projeto de Lei para alterar e que esse tipo de crime não tenha liberdade provisória, indiferente da pena.


RELEMBRE O CASO
A “Operação Storm”, deflagrada em Ivoti, no dia 26 de junho, pela Polícia Civil (Deam-Esteio), prendeu Jean Carlo Gernhardt, de 47 anos, empresário no ramo de calçados, e Daniel Gustavo de Paula, de 64 anos, integrante de uma família da indústria calçadista.
No entanto, os dois investigados, presos em flagrante pela Polícia Civil, foram soltos para responder em liberdade, após passarem por audiência de custódia um dia após, no Núcleo de Gestão Estratégica do Sistema Prisional (NUGESP), em Porto Alegre.
Segundo o Tribunal de Justiça do Estado (TJ/RS), a decisão de conceder liberdade provisória considerou a falta de pedido de prisão preventiva pelo Ministério Público e pela autoridade policial. A delegada Luciane Bertoletti confirmou que não representou pela prisão preventiva por entender que a pena é branda, de cerca de um a quatro anos de prisão. Ela informou que ambos não possuíam antecedentes criminais e que os empresários contribuíram para as investigações.
As investigações continuam para apurar a origem do material apreendido, a extensão dos arquivos encontrados e se houve compartilhamento do conteúdo criminoso com outras pessoas.




