Em setembro de 2023, o hamburguense Roberto Daniel Kircher, de 68 anos, sofreu um AVC enquanto estava em casa. Quem ajudou a salvar sua vida foi Lua, sua cachorrinha de 16 anos. Depois de passar cerca de cinco dias caído no chão da residência onde morava sozinho, foram os latidos insistentes da companheira que chamaram a atenção dos vizinhos e permitiram que a família fosse avisada a tempo.
Carinhosamente chamado de Peu entre familiares e amigos, ele levava uma rotina independente antes do episódio. Gostava de correr, andar de bicicleta e mantinha contato com os irmãos, embora os encontros não fossem diários.
Relembrando o ocorrido, as irmãs Rachel e Jacqueline Kircher explicam que, num primeiro momento, a ausência não causou estranhamento. “Ele morava sozinho com a Lua e era independente. O nosso ponto de encontro sempre foi a casa da mãe. A gente não se via e nem se falava todos os dias. Então, quando ele ficou sem dar notícia, não imaginamos que tinha acontecido alguma coisa”, conta Jacqueline
Quem percebeu que havia algo errado foram os vizinhos, que estranharam os latidos constantes de Lua e decidiram verificar. Foi assim que encontraram Roberto desacordado e acionaram a família.
Depois do atendimento e de cerca de uma semana no hospital, começou uma nova etapa: a recuperação. No início, as irmãs e outros familiares, como a sobrinha Brenda Finotti, tinham muitas dúvidas sobre como seria o futuro do de Peu. “A gente se perguntava como ele ia ficar. Se voltaria a andar, se ficaria acamado.”
A importância da fisioterapia na recuperação
Foi nesse período que a família conheceu o fisioterapeuta Régis Reis, profissional que acompanha Peu até hoje. Régis conta que, desde o começo, procurou trabalhar com expectativas realistas, mas sem deixar de incentivar o paciente.
“Eu sentei com a família e disse que não sabia como seria a recuperação, mas que a gente ia trabalhar pela melhora dele. Se precisasse, faria fisioterapia todos os dias”, conta”
Segundo ele, o processo exigiu paciência, e com o passar do tempo, pequenas conquistas eram comemoradas por todos. “Um dos primeiros passos que ele deu, três ou quatro meses depois do AVC, já foi uma vitória. Ele perguntava: “Onde eu vou chegar?”. E eu dizia: “Tu vai chegar onde tu quiser”.
O cuidado que se transformou em carinho
Quase três anos depois, Régis afirma que acompanhar a evolução de Roberto também transformou sua relação com o trabalho. “A gente cria um vínculo. Ver ele melhorando, conseguindo se virar sozinho, andando, falando com ajuda da fonoaudiologia também, é gratificante. Cada conquista é importante para ele, mas também para nós que acompanhamos”, destaca.
Hoje, Peu mora em um residencial voltado ao cuidado e bem-estar de idosos, onde segue acompanhado e continua sua rotina de recuperação. Ao lado dele permanece Lua, a cachorrinha que esteve presente no momento mais difícil.
Colorado fanático, Peu se emociona ao falar sobre o Internacional, sobre o caminho percorrido desde o AVC e sobre a presença da família e dos profissionais que o ajudaram ao longo do processo.



