Nesta sexta-feira (28), a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia e da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia anunciaram alterações nas recomendações para diagnóstico, tratamento e cuidados de alterações da tireoide na gestação. A partir do anúncio, o medicamento hormonal não deve mais ser utilizado em gestantes com anticorpos contra a tireoide positivos e com o funcionamento normal na glândula.
A mudança ocorreu devido a três estudos apresentados recentemente que comprovaram que o tratamento preventivo não reduz riscos de abortamento ou parto prematuro. As novas orientações se baseiam em uma diretriz publicada pela Associação Americana da Tireoide, em junho deste ano.
No novo posicionamento, gestantes com anticorpos positivos não devem fazer tratamento preventivo com o hormônio na versão sintética (levotiroxina), caso a glândula estiver funcionando com regularidade. Contudo, a atividade da glândula seguirá sendo monitorada. Estudos clínicos indicam que existe maior risco de hipotireoidismo ao longo da gestação.
O subcoordenador do Departamento de Tireoide da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, Cleo Mesa Júnior, explica que o anticorpo positivo detectado por exame mostra que existe apenas uma predisposição a desenvolver a alteração da tireoide.
Para mulheres que já tinham hipotireoidismo antes da gravidez, a orientação continua sendo aumentar em cerca de 30% a dose habitual do hormônio assim que ela engravida.
Hipotireoidismo subclínico
Outra mudança no posicionamento diz respeito ao hipotireoidismo subclínico, situação em que o TSH fica elevado, mas o hormônio tireoidiano permanece normal. A partir de agora, o início do tratamento para TSH (hormônio que estimula a tireoide a trabalhar) entre 4,0 e 10 mUI/L fica focado no primeiro trimestre da gestação.
Repetição de exame
O posicionamento internacional também recomenda repetir o exame de detectação do nível do hormônio TSH somente após o período de uma a três semanas antes de decidir tratar a gestante. Isso porque, em determinadas situações, algumas alterações leves podem ser transitórias na gestação.
Foto: Divulgação / Agência Brasil




