A remoção de uma colônia de gatos comunitários que vivia próxima da EMEI Profª Clarice Arandt, em Dois Irmãos, gerou reclamações de protetores e chegou ao Ministério Público. Os animais foram retirados pela Vigilância em Saúde em junho e parte deles remanejada para a Usina de Reciclagem do município.
Agora, com alguns dos gatos ainda desaparecidos e outros circulando próximos da Usina, os cuidadores passaram a questionar o destino dado aos animais. “Esse é o local seguro que prometeram quando tiraram ele do lar comunitário?”, diz uma publicação do perfil Rua dos Miaus, criado nas redes sociais para acompanhar a situação dos gatos.
Uma das justificativas apresentadas pela Vigilância para a retirada é de que os gatos entravam no pátio da escola para realizar necessidades fisiológicas, o que representaria risco sanitário para crianças e professores.
O Município também apontou preocupação com o contato dos gatos e da alimentação disponibilizada a eles com animais silvestres como quatis e lagartos, que vivem na área de mata do local.
Segundo Dorotea Blume, uma das moradoras que cuidava dos gatos, sete deles foram recolhidos. “Inclusive, eu ajudei a capturar, porque me prometeram que eles iriam para um lugar seguro”, relata. Mas, já nos primeiros dias após a retirada, ela começou a questionar onde os animais estavam, sem obter respostas.
Voluntária denunciou a remoção ao MP
Preocupada com a situação dos gatos, Dorotea conta sobre todo o processo. Quando João, um dos gatos regatados, voltou ao local dias depois, sozinho, ela procurou o Ministério Público e denunciou o que considerava uma remoção irregular, solicitando esclarecimentos sobre o estado de saúde e o destino dos outros felinos.
Conforme relata, inicialmente a informação era de que os animais seriam testados, passariam por avaliação clínica e, posteriormente, encaminhados para novos lares.
Semanas depois, Dorotea recebeu a informação de que outro gato havia sido visto na Usina de Reciclagem. Ao buscar informações sobre, descobriu que cinco dos sete gatos recolhidos haviam sido remanejados para a Cooperativa do município, onde foram microchipados e estavam com a saúde estável.
Dois foram adotados e outros teriam fugido
Conforme o último relatório do Município, dois gatos foram adotados. Outro, conhecido como Michael Jackson, foi visto posteriormente nas proximidades da cooperativa e ganhou comida.
A moradora questiona principalmente a escolha da Usina como destino dos animais e a falta de informações posteriores sobre onde cada um deles estaria. Segundo ela, antes da retirada, os felinos eram saudáveis, castrados, monitorados e recebiam alimentação controlada.
“E eu me pergunto: se tivesse sido eu largando um desses gatos no ‘lixão’, eu podia ser presa. Por que eles podem fazer isso?”, desabafa.

Dorotea afirma que ainda busca informações sobre o paradeiro de outros três gatos que foram remanejados para a Usina e que fugiram no momento em que foram soltos, segundo ela, por estranharem o o barulho alto do local.
Placa foi colocada no local em que gatos ficavam
Representando a protetora, a advogada Isabella Barbosa apresentou pedidos relacionados à situação. Entre eles estão a retirada da placa instalada no antigo local da colônia com alerta para esporotricose.
Segundo Dorotea, o aviso foi colocado sem nenhum tipo de teste de solo ou teste de sangue. “Criar esse pânico sem prova técnica coloca em risco os animais, que podem ser mau-tratados por falta de conhecimento da população.”

Além disso, a advogada solicitou a disponibilização de casinhas adequadas no local onde os gatos viviam anteriormente e do fornecimento contínuo de ração aos animais, “como forma de reparação de danos pelo abandono resultante da transferência mal sucedida para a Usina de Reciclagem”.
O que diz a Prefeitura
A Prefeitura de Dois Irmãos afirma reconhecer a importância do trabalho realizado pelos protetores independentes e sustenta que a decisão pelo remanejo buscou conciliar o bem-estar dos animais com as condições sanitárias e de segurança da escola infantil.
Segundo o Município, o objetivo da ação foi interromper um risco sanitário existente em frente a uma escola de educação infantil, considerando a saúde das crianças, profissionais da educação, moradores da região e também da fauna local.
“A confirmação de casos de esporotricose alterou significativamente o cenário sanitário inicialmente
observado, exigindo atuação imediata da Vigilância em Saúde, em observância ao princípio da prevenção”, destaca a nota técnica divulgada à comunidade.
No processo que corre no MP, a Prefeitura encaminhou laudo técnico elaborado por médico veterinário sobre o caso de esporotricose de uma das gatas resgatadas do local, que motivou a instalação de placa no local onde viviam os felinos.
Para a administração, as medidas foram fundamentadas em critérios técnicos, acompanhadas por médica-veterinária e conduzidas com ciência do Ministério Público.
Os animais que, após avaliação veterinária, apresentaram condições clínicas adequadas foram
adotados, estão sendo alimentados e abrigados. A identidade dos adotantes não foi divulgada.
O Município informa ainda que o espaço anteriormente ocupado pela colônia passa por limpeza, com retirada de resíduos, entulhos e vegetação excedente como medida de controle sanitário.




