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Comunidade Política

Professores de Canoas mantêm greve nesta semana, mesmo com projetos aprovados na Câmara

Professores rejeitam proposta da Prefeitura e buscam apoio na Assembleia Legislativa

A greve dos professores da rede municipal de Canoas continua nesta terça-feira (5) e entra na terceira semana, mesmo após a aprovação de projetos de lei que tratam da recomposição salarial da categoria.

Os profissionais avaliam que as medidas não atendem às reivindicações, principalmente pelo parcelamento do reajuste, o que mantém o impasse com o Executivo.

A paralisação ocorre desde o dia 22 de abril. A proposta apresentada pela Prefeitura, que prevê o pagamento do reajuste de forma parcelada, já havia sido rejeitada pela categoria na semana passada.

Os professores reivindicam o pagamento integral, além da aplicação completa do piso nacional do magistério e melhorias nas condições de trabalho nas escolas.

A decisão pela continuidade da paralisação foi tomada em Assembleia Geral realizada na segunda-feira (4). A categoria sustenta que os projetos enviados e aprovados na Câmara representam um rompimento no diálogo com a educação municipal.

Em nota, a Prefeitura de Canoas informou que recebeu com preocupação a decisão de manter a greve e destacou que a proposta apresentada alcança o limite possível dentro da capacidade financeira do município.

Projetos aprovados

Na última quinta-feira (30), a Câmara Municipal de Canoas aprovou três projetos relacionados à remuneração dos servidores públicos, incluindo professores.

O principal deles estabelece a revisão geral anual com base na inflação medida pelo IPCA, fixada em 4,26%. O reajuste será pago de forma parcelada, em seis etapas de 0,71% entre maio e outubro de 2026. Aqui, está o ponto central de desacordo entre Executivo e a categoria. Os professores exigem pagamento integral.

Outro projeto aprovado atualiza o plano de carreira do magistério municipal, adequando os vencimentos ao piso nacional dos professores, que passa a considerar o valor mínimo de R$ 5.130,63 para jornada de 40 horas semanais, com efeitos retroativos a janeiro.

Posicionamento do Sindicato

Segundo o Sindicato dos Profissionais de Educação de Canoas (Sinprocan), a adesão à greve segue significativa. Um levantamento parcial realizado pela categoria e divulgado na segunda-feira (4) aponta que 46% dos profissionais das escolas municipais de ensino fundamental (EMEFs) e 28% das escolas de educação infantil (EMEIs) estão paralisados.

Em nota, o sindicato afirmou que a mobilização continua com forte participação da categoria. “Entre assembleias lotadas, atos nas ruas e mobilizações em frente à Prefeitura, a categoria demonstra, dia após dia, a força de quem não abre mão dos seus direitos. A greve continua — forte, legítima e construída coletivamente”, diz o texto.

Nesta manhã, representantes do sindicato participam de reunião na Comissão de Educação da Assembleia Legislativa em busca de apoio à pauta da categoria.

O que diz a Prefeitura

Em nota, a Prefeitura de Canoas informa que recebeu com preocupação a decisão dos profissionais da Educação de manter a greve. Leia na íntegra:

“A Administração Municipal reforça que sempre manteve o diálogo aberto com a categoria, mas destaca que a proposta apresentada chegou ao limite possível dentro da capacidade financeira do Município.

A Câmara Municipal já aprovou os projetos encaminhados pela Prefeitura que garantem o pagamento do Piso Nacional do Magistério já no próximo salário e a reposição salarial dos servidores da Educação em seis parcelas, conforme proposta final construída durante o processo de negociação.

Além dessas medidas, a atual gestão já avançou em pontos importantes para a valorização dos profissionais e a qualificação da rede, como a concessão do vale-alimentação, que representa acréscimo aproximado de R$ 604 na renda dos professores, a realização de concurso público, a contratação de 500 monitores de inclusão, a retomada das eleições para diretores, a correção de descontos de aposentados e a manutenção do auxílio-transporte, mesmo após a implantação do Passe Livre. Mesmo com os avanços, a paralisação segue impactando uma parcela de estudantes e suas famílias.

O Município reafirma que sempre esteve aberto ao diálogo e ressalta que a proposta apresentada, conciliando valorização dos profissionais, responsabilidade fiscal e o direito dos estudantes às aulas, é a proposta final.”

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