Teve início nesta quinta-feira (21) o julgamento do policial militar Jandavi Campos da Silva, 51, denunciado pelo assassinato da esposa Jaqueline Araújo dos Santos, 46, em maio de 2024, em Sapucaia do Sul. Ele será julgado pelo Tribunal do Júri pelo crime de feminicídio.
O crime ocorreu na residência do casal, no Bairro Ipiranga. A vítima era professora e foi morta com um tiro no rosto na noite de 13 de maio de 2024. O casal mantinha um relacionamento de mais de 20 anos e tinha dois filhos.
Familiares e amigos de Jaqueline acompanham o julgamento em busca de justiça pela morte da mulher. No local, diversos cartazes pedem justiça e homenageiam a vítima. De forma simbólica, também foram espalhados balões com os nomes das mais de 30 mulheres vítimas de feminicídio no Rio Grande do Sul em 2026, além de um balão com o nome de Jaqueline.
No primeiro dia do julgamento, as testemunhas começaram a ser ouvidas. A advogada da família de Jaqueline, Thaymres Parulla, acompanha o caso e afirma que a expectativa é de que os debates entre acusação e defesa ocorram na sexta-feira, seguidos da votação dos jurados. Segundo ela, o processo é delicado devido ao contexto do crime e à repercussão entre familiares e amigos da vítima. “Nosso único objetivo é dar voz à Jaqueline e mostrar aos jurados quem ela era e o impacto que essa atrocidade teve na vida daqueles que a amam”, afirmou.
A advogada destacou que a família busca um resultado considerado justo. “O julgamento pode não preencher o vazio deixado pela ausência da Jaqueline, mas ao menos será um recado de que mulheres não são posse e ninguém tem o direito de ceifar nossas vidas”, declarou.
No julgamento, o promotor de Justiça Charles Emil Machado Martins contestará a versão de disparo acidental, alegada pelo réu. Segundo o depoimento prestado na Delegacia de Polícia, durante um desentendimento, ele teria empunhado uma arma para cometer suicídio. A mulher teria avançado em sua direção, provocando um disparo acidental que a atingiu.
Após o tiro, ele entrou em contato com uma vizinha, informando que a esposa havia sido baleada, e solicitou que ela acionasse o socorro. Em seguida, deixou o local, apresentando-se à polícia e, desde então, permanece preso preventivamente.
O policial confessou que tinha outra família na cidade de Canoas. No dia anterior ao crime, a vítima ainda foi humilhada pelo marido na frente dos filhos.
