A Receita Federal e o Gaeco deflagraram nesta quinta-feira (24) a Operação Crédito Oculto, terceira fase da Operação Carbono Oculto. A ação investiga o uso de estruturas financeiras para ocultar recursos e viabilizar a aquisição da Tobras Distribuidora de Combustíveis, conhecida como Terrana, uma das maiores empresas do setor de combustíveis no país.
São cumpridos mandados de busca e apreensão contra 13 pessoas físicas e 19 empresas em sete estados. Entre os alvos estão um diretor do Banco Genial e Antonio Carlos Freixo Junior, executivo ligado ao Banco Master e apontado nas investigações como próximo de Daniel Vorcaro.
Ligação com o filme ‘Dark Horse’
Freixo também aparece nas investigações por ter afirmado, em delação, que realizou sete remessas ao fundo Havengate, nos Estados Unidos, que somaram US$ 12,3 milhões em 2025. Segundo as informações apresentadas na investigação, os recursos estavam relacionados ao financiamento do filme “Dark Horse”, produção sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
O fundo é administrado por Paulo Calixto, ligado ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro.
A operação desta quinta-feira busca esclarecer se estruturas empresariais e financeiras foram utilizadas para ocultar o controle de empresas e lavar dinheiro durante negócios envolvendo o setor de combustíveis.


Funcionamento do esquema
As análises econômico-financeiras apontam que a aquisição da distribuidora de combustíveis foi viabilizada por outra estrutura financeira composta por banco, fundos de investimento, escritório de advocacia, holdings, empresas patrimoniais e empresas de fachada, organizada para distanciar os recursos ilícitos utilizados na operação e os seus verdadeiros financiadores e beneficiários econômicos.
A usina teria recepcionado em suas contas bancárias 100 milhões de reais enviados pela organização criminosa para financiar a aquisição.
Os valores passaram “em poucos minutos” por múltiplas contas gráficas de três empresas do grupo ocultadas por contas bolsões em fintechs, usadas como meras “contas de passagem”, até aportarem na conta da usina sucroalcooleira.

Depois, a fraude foi arquitetada por intermédio de um certificado de depósito bancário vinculado (CDBV). O fundo de investimento realizou a aquisição de um CDB perante um banco tradicional que, por sua vez, utilizou o dinheiro para realizar uma operação “casada” com a emissão de duas cédulas de crédito bancário para duas empresas de fachada da própria organização criminosa.
Também foram utilizados recursos para adquirir integralmente as cotas de um fundo imobiliário. Os imóveis que davam suporte econômico à operação já haviam sido previamente transferidos para empresas patrimoniais e, posteriormente, para fundos imobiliários.
Dessa forma, os bens permaneciam sob o controle econômico do grupo investigado, mas deixavam de figurar diretamente em seu patrimônio pessoal, dificultando a identificação de seus reais proprietários e proporcionando blindagem patrimonial.
Assim, a investigação constatou a construção e a interligação de múltiplas estruturas de lavagem de capitais, não apenas pela organização criminosa atuante em todo o setor de combustíveis, mas essencialmente por operadores do mercado financeiro que prestam serviços de lavagem de dinheiro.
Foto da capa: Divulgação / Receita Federal




