A Justiça revogou, nesta quarta-feira (12), a prisão preventiva da ex-secretária de Bem-Estar Animal de Canoas, Paula Lopes, acusada de eutanásia ilegal em cães e gatos, maus-tratos, estelionato e outros crimes. A decisão foi tomada pelo Juízo da Vara Regional Ambiental, do Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul (TJRS), da Comarca de Porto Alegre e substituiu a prisão preventiva por medidas cautelares.
CONDIÇÕES
Entre as condições, Paula está proibida de manter animais sob sua guarda ou exercer atividades relacionadas ao recolhimento, transporte, abrigo ou tratamento de animais. Além disso, a ex-secretária não poderá manter contato com os demais réus e testemunhas do processo. Ela também está impedida de frequentar a Secretaria Municipal do Bem-Estar Animal de Canoas, as sedes do Instituto Paula Lopes ou abrigos de animais ligados aos investigados.
DECISÃO
Segundo a decisão, a prisão preventiva deixou de ser necessária porque Paula não ocupa mais o cargo público, portanto, não teria mais influência política ou administrativa para cometer novas infrações ou ocultar provas. A Justiça também considerou que as estruturas utilizadas nas condutas investigadas foram desfeitas e que o Instituto Paula Lopes foi completamente desocupado, sem animais mantidos nos canis, galpões ou áreas internas. A decisão cita ainda que ela é primária, possui residência fixa na comarca e apresentou comportamento considerado compatível com o andamento do processo.
RELEMBRE O CASO:
Paula estava presa preventivamente desde 15 de junho, inicialmente por suspeita de estelionato. Segundo a investigação, a ex-secretária teria transformado o resgate de animais em uma fonte de lucro, arrecadando dinheiro nas redes sociais com casos de cães e gatos em situação grave. Ela responde ao processo junto com outras nove pessoas.
De acordo com o Ministério Público Estadual, os fatos teriam ocorrido em 2025, no Centro de Bem-Estar Animal de Canoas e em outros locais do Município e de Porto Alegre.
No dia 4 de setembro de 2025, a primeira fase da Operação Carrasco, que investigou o caso, foi deflagrada pela Polícia Civil, por meio da 3ª Delegacia de Polícia de Canoas. A segunda fase da operação ocorreu em 15 de junho deste ano e quatro pessoas foram indiciadas, incluindo Paula Lopes.
DEFESA:
A defesa de Paula, representada pelo advogado Ismael Schmitt, afirmou ter recebido com alívio a decisão. Em nota, disse que a substituição da prisão por medidas cautelares é justa e está de acordo com os argumentos apresentados pela defesa. O advogado afirmou ainda que seguirá acompanhando o processo e que Paula pretende demonstrar sua inocência.




Fotos: Primeira fase da Operação Carrasco / Polícia Civil




