O Rio Grande do Sul foi o maior exportador de calçados do Brasil no primeiro semestre de 2026, com 17,65 milhões de pares embarcados e receita de US$ 201,83 milhões. Mas o avanço das importações asiáticas preocupa o setor: entre janeiro e junho, o Brasil importou 25,9 milhões de pares, com alta de 15,9% em volume e 13% em receita em relação ao mesmo período de 2025. Os dados são da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados).
O presidente-executivo da entidade, Haroldo Ferreira, afirma que a indústria brasileira enfrenta simultaneamente pressão no mercado interno, queda de receita externa e aumento da concorrência importada, “muitas vezes sob práticas de comércio consideradas desleais pela Organização Mundial de Comércio (OMC)”.
Segundo estimativa da Abicalçados, o setor deixou de criar 7,8 mil postos de trabalho diretos no semestre em razão do avanço das importações.
A pressão vem concentrada na Ásia, responsável por 87,2% dos pares importados. A China liderou, com 9,7 milhões de pares importados e US$ 26,5 milhões pagos, alta de 27,4% em volume. O Vietnã ficou em segundo, com 6,83 milhões de pares e US$ 150,57 milhões. A Indonésia completou o pódio asiático, com 3,68 milhões de pares e US$ 69,24 milhões.
Do lado das exportações, o cenário é inverso. No primeiro semestre, o Brasil exportou 49 milhões de pares e US$ 408,2 milhões, com quedas de 7% em volume e 17,9% em receita. A combinação resultou em uma queda de 55,1% na balança comercial do setor, o menor resultado para um primeiro semestre desde 1997.
O principal destino das exportações foram os Estados Unidos, que receberam 5,6 milhões de pares e pagaram US$ 85,25 milhões, com quedas de 3,6% em volume e 23,6% em receita. A Argentina registrou a maior retração: importou 2,72 milhões de pares brasileiros, com quedas de 57,5% em volume e 58,1% em receita. O Paraguai foi o único destino entre os principais a apresentar crescimento de receita, com alta de 13,1%, apesar da leve queda em volume.
Entre os estados exportadores, o Rio Grande do Sul registrou crescimento de 10,6% em volume, mas queda de 13,2% em receita. Ceará e São Paulo aparecem na sequência, ambos com quedas tanto em volume quanto em receita.





