Uma operação conjunta das Polícias Civis do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro prendeu, na manhã desta quarta-feira (2), um homem suspeito de aplicar golpes contra jogadores e dirigentes ligados à dupla Gre-Nal. O carioca, que não teve o nome divulgado, foi detido em Itaperuna, no interior do Rio de Janeiro, durante a Operação Falso 9.


Segundo a investigação, uma das principais estratégias do suspeito era tentar se passar por pessoas conhecidas do futebol para conquistar a confiança das vítimas. Em um dos casos, ele teria se passado pelo técnico do Grêmio, o português Luís Castro. Usando uma foto do treinador e um número de telefone com prefixo do Rio de Janeiro, fez conversas pelo WhatsApp com jogadores do clube.
Em abril, ele teria abordado o atacante colombiano José Enamorado. Segundo a polícia, o falso treinador manteve uma conversa que se estendeu por dias.
O suspeito elogiava a dedicação do jogador e, em determinado momento, pediu que Enamorado não comentasse o contato com os demais companheiros de elenco.
Somente depois de construir a relação de confiança, o golpista teria dito que auxiliava um projeto social responsável pela distribuição de cestas básicas, e que a iniciativa já havia recebido contribuições de atletas de clubes anteriores.
A partir daí, o falso Luís Castro detalhou a suposta ação: seriam 300 cestas básicas, ao custo de R$ 75 cada, totalizando R$ 22,5 mil.
O suspeito então encaminhou uma chave Pix e informou que o valor deveria ser enviado a uma suposta responsável pela instituição. Em 7 de maio de 2026, o jogador realizou a transferência. A quantia enviada foi de R$ 22 mil e teria caído integralmente em uma conta bancária controlada pelo grupo investigado. O dinheiro ainda não foi recuperado.
Outros jogadores do Grêmio também teriam sido abordados, mas desconfiaram das mensagens e fizeram checagens antes de qualquer transferência.
Em uma das situações, o falso treinador teria orientado o zagueiro argentino Walter Kannemann a comparecer mais cedo ao Centro de Treinamento Presidente Luiz Carvalho, no bairro Humaitá, em Porto Alegre. O jogador estranhou a ordem e descobriu que não havia qualquer orientação do técnico para a mudança de horário. Além isso, entre os alvos estaria o ex-jogador e atual dirigente Andrés D’Alessandro. O golpista teria iniciado uma conversa se passando por um conhecido e, em seguida, tentado introduzir um pedido envolvendo dinheiro. D’Alessandro, no entanto, desconversou e não deu continuidade ao contato.


O suspeito deve permanecer no Rio de Janeiro. A Polícia Civil fluminense suspeita que ele esteja envolvido em outros golpes praticados no Estado, alguns deles com vítimas do meio do futebol.
Fotos: Redes sociais e Polícia Civil




