A crise financeira da Braskem, uma das maiores empresas petroquímicas do Brasil, ganhou uma nova dimensão nesta semana e coloca o Rio Grande do Sul no radar das preocupações. A companhia protocolou na Justiça de São Paulo um pedido de recuperação extrajudicial para reestruturar aproximadamente US$ 10,9 bilhões de dólares em “obrigações financeiras”, valor que equivale a cerca de R$ 56 bilhões de reais.
Em nota, a Braskem afirma que a recuperação extrajudicial terá “escopo limitado, estritamente financeiro”. Embora a medida seja direcionada às dívidas financeiras e, segundo a empresa, não altere os compromissos com fornecedores, clientes e demais parceiros, o tamanho da Braskem e a presença no Estado fazem com que os desdobramentos sejam acompanhados de perto no Rio Grande do Sul, especialmente na região do entorno do Polo Petroquímico de Triunfo, como o Vale do Sinos.
A companhia informou que mantém oito unidades industriais em Triunfo, além de um Centro de Tecnologia e Inovação. Segundo dados divulgados pela Braskem, as operações gaúchas estão associadas a mais de 6 mil empregos diretos e indiretos, além de uma contribuição tributária superior a R$ 800 milhões em 2024. No mesmo ano, as unidades do Estado produziram mais de 3,5 milhões de toneladas de produtos químicos e polímeros (um material semelhante a plástico).
Segundo a empresa, a Braskem também mantém no complexo gaúcho uma estrutura que vai além da produção industrial. O Centro de Tecnologia e Inovação de Triunfo é considerado pela companhia seu maior centro tecnológico. São mais de 12 laboratórios e plantas-piloto, com mais de 160 pesquisadores trabalhando em Triunfo.
Em junho, a empresa havia obtido proteção judicial que suspendeu temporariamente a execução de dívidas. O prazo dessa proteção chegava ao fim nesta semana. Agora, segundo a empresa, a recuperação extrajudicial abre uma nova etapa da negociação, e que neste momento, suas operações seguem normalmente. O desafio, daqui para frente, será reorganizar uma dívida bilionária sem deixar que a crise financeira se transforme em uma crise operacional.
Foto: Joédson Alves / Agência Brasil




