O Rio Grande do Sul registrou avanços significativos na redução da violência letal em 2025, mas os dados escondem tendências preocupantes: os feminicídios subiram, a violência contra crianças pequenas disparou e os registros de crimes contra pessoas LGBTQIA+ cresceram mais de 58% no Estado. As informações são do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, publicado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública com base nos dados de 2025.
Feminicídios sobem na contramão dos homicídios
Enquanto o número de homicídios caiu no Estado, os feminicídios foram na direção oposta. Em 2025, o Rio Grande do Sul registrou 80 feminicídios, alta de 9,5% em relação a 2024, quando foram 73. As tentativas de feminicídio também aumentaram, chegando a 264 casos, crescimento de 11,8%. O Anuário aponta que 48,2% de todos os homicídios de mulheres no estado foram classificados como feminicídio, proporção acima da média nacional de 44,4%. Oito vítimas tinham medida protetiva de urgência ativa no momento em que foram mortas.
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Violência contra crianças dispara
Os dados sobre crianças vítimas de violência doméstica são os mais alarmantes do levantamento. Os registros de lesão corporal dolosa em contexto de violência doméstica contra crianças de até 4 anos saltaram 80% no estado, de 96 casos em 2024 para 168 em 2025. Na faixa de 5 a 9 anos, o aumento foi de 65,5%, passando de 159 para 258 registros. O Rio Grande do Sul está entre os maiores crescimentos proporcionais do país nessas faixas etárias.
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Estupro: RS está acima da média nacional
O total de registros de estupro e estupro de vulnerável chegou a 5.082 casos no Estado, queda de 9% em relação a 2024. No entanto, a taxa de 45,2 por 100 mil habitantes é superior à média nacional, que ficou em 39,5. O Anuário faz um alerta importante: a redução dos registros pode refletir menos denúncias, e não necessariamente menos crimes, já que a violência sexual é historicamente marcada por elevada subnotificação.
Violência contra LGBTQIA+ cresce mais de 58%
Os registros de lesão corporal dolosa contra pessoas LGBTQIA+ no Rio Grande do Sul passaram de 400, em 2024, para 635 em 2025, alta de 58,8%, o maior crescimento em números absolutos entre todos os estados brasileiros. Em homicídios dolosos contra esse grupo, o estado contabilizou 975 vítimas, número praticamente estável (+0,4%). Os dados de estupro contra a população LGBTQIA+ também cresceram 13,4%, chegando a 135 casos.
O que melhorou: RS lidera queda de homicídios no Brasil
No campo das mortes violentas intencionais, o desempenho do Rio Grande do Sul foi o segundo melhor do país em 2025. Os casos caíram 25,7%, de 1.704 para 1.266, e a taxa passou de 15,2 para 11,3 por 100 mil habitantes, bem abaixo da média nacional de 19,1. Nos homicídios dolosos especificamente, a queda foi de 25,1%, com taxa de 9,9 por 100 mil, uma das menores do Brasil. O Estado também zerou os registros de roubo a instituição financeira e reduziu em 11,1% o total de roubos.
O 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública é produzido pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública com dados fornecidos pelas secretarias estaduais de segurança e defesa social. A edição deste ano analisa os índices de 2025 em comparação com o ano anterior e traz a maior base histórica já publicada sobre violência no Brasil.




