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Ebola: o que é a doença e o que se sabe sobre caso suspeito em Novo Hamburgo; veja sintomas

O Ebola causa febre hemorrágica e tem um período de incubação de 1 a 21 dias.

Depois que a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Novo Hamburgo confirmou que acompanha a investigação de um caso suspeito de doença pelo vírus Ebola, dúvidas sobre a doença e formas de contágio surgiram. Na suspeita da região, o paciente é um homem de 64 anos com histórico recente de permanência em Uganda, que deu entrada na UPA Canudos na última quarta-feira (10) apresentando sintomas compatíveis com a suspeita.

A Prefeitura acionou imediatamente o Governo do Estado, por intermédio do Centro Estadual de Vigilância em Saúde (CEVS/RS), seguindo os protocolos do Ministério da Saúde. Desde o primeiro atendimento, todas as medidas de vigilância, assistência e biossegurança foram adotadas pelas equipes municipais.

Positivo para malária

Um teste rápido para malária resultou positivo para Plasmodium falciparum, e o tratamento específico foi iniciado prontamente. A malária é, até o momento, o principal diagnóstico identificado, mas o caso segue em investigação para Ebola, conforme os protocolos nacionais vigentes. O descarte definitivo depende de análise laboratorial a ser realizada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), laboratório de referência nacional.

O paciente será transferido para o Grupo Hospitalar Conceição, em Porto Alegre, unidade de referência estadual para acompanhamento especializado. Em caso de confirmação da doença, será encaminhado para uma unidade de referência nacional. As equipes de vigilância em saúde do Estado já iniciaram o levantamento e monitoramento das pessoas que tiveram contato com o paciente.

O que é o Ebola?

O vírus Ebola pertence à família dos filovírus. Existem cinco espécies conhecidas: Zaire, Sudão, Bundibugyo, Reston e Tai Forest ebolavirus. A cepa Zaire é a mais letal, com letalidade historicamente acima de 60% dos casos, chegando a 90% nas primeiras epidemias registradas. O surto atual é causado justamente por essa cepa, com letalidade estimada entre 50% e 60%, embora parte dos infectados desenvolva uma forma mais branda da doença.

A doença foi descrita pela primeira vez nos anos 1970, a partir de surtos simultâneos em Nzara, no Sudão, e em Yambuku, na então Zaire (atual República Democrática do Congo), em uma região próxima ao Rio Ebola, que acabou dando nome à enfermidade. Naquele ano, 318 casos foram registrados no Zaire, com 280 mortes; no Sudão, 284 pessoas foram infectadas e 156 morreram. Na maior epidemia registrada, em 2014, foram reportados 28.599 casos suspeitos na Guiné, Serra Leoa e Libéria, com 11.299 mortes.

Sintomas

O Ebola causa febre hemorrágica e tem um período de incubação de 1 a 21 dias.

Os sintomas iniciais são:

  • febre,
  • dor de cabeça
  • dores musculares
  • com possibilidades de vômitos e diarreia

Em alguns pacientes, a evolução é rápida para a forma hemorrágica grave, com falência múltipla de órgãos e Coagulação Intravascular Disseminada (CIVD), um quadro que provoca sangramentos nas mucosas, no intestino e no útero, geralmente associado ao estágio terminal da doença.

Como é transmitido

A transmissão do Ebola ocorre somente depois do aparecimento dos sintomas e se dá pelo contato direto com sangue, tecidos ou fluidos corporais de pessoas ou animais infectados, ou pelo contato com superfícies e objetos contaminados. Isso inclui agulhas e roupas de cama.

Diferente da Covid-19, o vírus não é transmitido pelo ar.

No Brasil, não há circulação natural do vírus em animais silvestres. A transmissão original ao ser humano se deu pelo contato com animais infectados, como chimpanzés, gorilas, morcegos-gigantes, antílopes e porcos-espinhos em regiões diferentes do continente África.

Cerimônias fúnebres com contato direto com corpos de pessoas falecidas pela doença também podem ser fonte de transmissão, prática comum em comunidades rurais de alguns países. Pessoas que morreram de Ebola devem ser manipuladas apenas por profissionais com equipamentos de proteção adequados.

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