Foi identificado como Adilson Schroeder o piloto de asa-delta que sofreu um acidente no domingo (23), durante uma manobra de pouso após saltar do Morro Ferrabraz, em Sapiranga. Adilson está em coma induzido e foi transferido para o Hospital Nossa Senhora das Graças, em Canoas.
Segundo informações da Associação Gaúcha de Voo Livre (AGVL), repassadas por familiares, o piloto foi diagnosticado com um pequeno coágulo de sangue na cabeça e presença de sangue no pulmão.
Ele também sofreu fraturas nos dois fêmures. Conforme a família, o coma foi induzido para facilitar o tratamento, já que Adilson estava tentando se levantar.
A irmã do piloto, Ana Cristina Schroeder, destaca que ele pratica o esporte há cerca de 10 anos. Segundo o presidente da AGVL, Alex Trombini, Adilson é conhecido no meio e possui grande experiência.
“Ele é, com certeza, o piloto que mais voa na região, com mais decolagens e pousos. Sempre que tem condição, está voando. Então, ele tem muita experiência de voo, decolagem e aproximação”, afirma.

Associação apura causas do acidente
A AGVL apura o acidente. Segundo Trombini, durante a aproximação para o pouso, Adilson passou próximo a árvores de grande porte existentes na região, onde, conforme a associação, podem ocorrer turbulências devido a rotores gerados em dias de vento mais forte.
“A turbulência parece ter jogado a asa dele para o lado contrário que ele estava se posicionando para fazer a curva, deixando ele sem chance de retornar o curso de pouso”, relata.
No momento da queda, Adilson acabou atingindo um veículo próximo ao campo de pouso. Ele foi socorrido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
AGVL afirma que árvores próximas oferecem risco
O presidente da associação relata que a presença de árvores de grande porte nas proximidades da área de aproximação é uma preocupação antiga da entidade, pois pode acabar dificultando o pouso dos pilotos, como no caso de Adilson.
Trombini conta que, segundo os registros da AGVL, três acidentes teriam ocorrido nos últimos seis meses relacionados à situação.
Segundo ele, o campo de pouso é utilizado há cerca de 48 anos e a associação busca uma solução para a situação há mais de dois anos, pois as árvores ficam em uma propriedade particular.
“Nós conseguimos aprovar uma legislação na Prefeitura que proíbe árvores de grande porte nesse entorno de risco, mas essas árvores já estavam lá quando a lei foi aprovada, e isso está tramitando ainda há dois anos”, afirma.
Em documento encaminhado ao Ministério Público de Sapiranga em junho de 2022, a AGVL já solicitava apoio em relação às condições próximas ao campo de pouso.
No documento, a entidade afirmava que situações envolvendo uma propriedade vizinha à pista estariam expondo pilotos de asa-delta e parapente a riscos de acidentes e relatava já ter solicitado auxílio à Prefeitura.
A associação agora aguarda a recuperação de Adilson e segue apurando as circunstâncias.




